Blinded By The Light é aquele típico filme pop inglês que a gente tanto ama, que junta o herói adolescente tentando sobreviver de qualquer forma todos os problemas que enfrenta num subúrbio na Londres de 1987 por ser muçulmano, sensível, poeta, virgem e que consegue tudo isso a partir das músicas de Bruce Springsteen.
O doido é que o filme é baseado numa história real, desse moleque que virou escritor, que quando jovem fugia dos skin heads da era Tatcher que queriam mandar os imigrantes de volta pra seu países porque achavam que eles eram os culpados pela falta de emprego, não o governo catastrófico da dama de ferro.
Javed é um herói do Nick Hornby, mas nenhum filme baseado em livro do ícone pop inglês é tão bem sucedido quanto este.
Eu fiquei pensando como que esse moleque paquistanês poderia se encontrar nas letras do cantor americano e o filme me provou que tudo é possível, como se eu não soubesse que o amor pela música, ou melhor ainda, quando na adolescência a gente descobre o ídolo da nossa vida, tudo é possível sim.
O filme poderia descambar pra um musical inglês (que eu tanto amo) cara de pau, mas o diretor tomou umas decisões tão bestas para evitar o óbvio que as cenas “de musical” são quase ridículas, no sentido mais bonitinho do termo.
Aliás, se Blinded By The Light tem defeito é que o filme é muito bonitinho e fofo e bonzinho e certinho demais.
O herói, ou o anti herói neste caso, chora, foge, é tímido, escreve poesia que joga fora, não acredita nele mesmo, tem medo do pai, quase desiste mas só Bruce salva, no caso dele.
E o filme, se tive uns 15 minutos a menos (sim, já entendemos tudo isso, é tudo lindinho e fofinho e vai dar certo no final, obviamente, senão o filme nem existiria) e se tivesse um conflito inesperado de verdade, seria perfeito.
Tá bom, a história é baseada na vida do cara, conflitos não óbvios não acontecem nos moleques dos subúrbios em adolescências problemáticas, tudo é muito claro, óbvio e o mesmo de sempre.
Mas filme é filme, dá pra fantasiar um pouco sempre, o que não aconteceu em Blinded By The Light o que fez com que o filme chegasse quase lá.
Só um adendo: como eu não sou nem um pouco fã do Boss, gostei muito mais da trilha do filme antes do moleque conhecer Springsteen, com o melhor pop inglês de 1987, uma delícia.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬
