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345/2019 LITTLE JOE

Little Joe é o tipo de filme que prova aquela teoria dos diretores queridinhos de festivais, não importando muito o filme que façam.

O filme é dirigido pela austríaca Jessica Hausner, que desde seu primeiro filme, Lovely Rita estreou na mostra Um Certo Olhar, no festival francês, que ela é uma das queridinhas da Croisette.

Little Joe prova que, não importa o tamanho da porcaria que ela lance, por lá o filme estará.

Veja bem, Little Joe não é um filme ruim, muito pelo contrário.

Só não é filme para estar na Seleção Oficial do mais prestigiado festival de cinema de todos, competindo pela Palma de Ouro.

Little Joe é uma ficção científica que parece saída de um ensaio fotográfico modernoso de alguma revista inglesa também modernosa, filhote da The Face.

O que não é ruim, porque um dos meus preferidos, Gattaca, é meio que nesse nível de lindeza.

Mas enquanto Gattaca serviu de referência para o que veio depois, Little Joe tem aquela cara de “já vi isso antes”.

E pra piorar, o roteiro é bem meia boca.

E a direção de Hausner é tão “olha como eu sou loucona e faço travellings que duram horas e tiram de quadro meus personagens” que irrita. Aquele tipo de direção que diz mais sobre o diretor que sobre o filme, que atrapalha.

Muito conteúdo e pouca alma.

O filme conta a história de uma cientista que cria uma flor cujo pólen, quando aspirado por humanos, dá uma sensação de amor profunda, porque libera a oxitocina, o hormônio do amor.

Essas flores são criadas em um laboratório lindo e sem vida, o que acaba sendo um contraponto bom à história dela criar uma nova flor, ser um tipo de uma Dra. Frankenstein, apesar dessa flor não poder se reproduzir e ter a função de deixar as pessoas amando muito.

É um paradoxo sem fim que importa tanto que vira segundo plano em relação a importância comercial da flor e também o quanto esse pólen pode causar doenças ou mesmo dependência.

O negócio é que o filme dá mais importância a toda estética que ao roteiro, muita forma e pouco conteúdo.

Falta alma a uma produção que tem um elenco tão bom, uma premissa tão boa e uma diretora que era uma promessa. No passado.

E que fique claro: o único Little Joe que ainda importa é o ícone Joe D’Alessandro, dos filmes do Warhol e da canção do Lou Reed.

NOTA: 🎬🎬1/2

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