045/2020 DOGS DON’T WEAR PANTS

Depois de tanta papagaiada dos últimos dias com filmes bem mais ou menos, vamos de surpresa das melhores.

Dogs Don’t Wear Pants (cachorros não usam calças) é o que a dominatrix diz para seu escravo a primeira vez que ele entra em seu dungeon.

Além de ser o título deste filmão finlandês, sobre o relacionamento deste não-casal, mas principalmente sobre um homem encontrando seu espaço depois de um trauma muito grande.

Juha, um cirurgião cardíaco renomado, perdeu sua esposa afogada em um acidente. Desde então, vê a vida passando e nada faz além de suas obrigações diárias: trabalhar e cuidar da filha adolescente, sendo que muitas vezes ele se atrapalha com tudo.

Em um dia que leva a filha para colocar um piercing na língua, descobre no andar de baixo do estúdio de tatuagem o tal dungeon de Mona, a dominatrix que já chega nele chegando. (A sutileza dessa condução de história é muito linda.)

A partir de então, Juha descobre a vida de novo através de visitas a sua nova mestra, visitas essas que vão cada vez mais beirando a percepção de vida e morte, que sempre paira sobre a mente do cirurgião que, numa das cenas punks do filme, vê sua mulher morrendo.

E de cenas punks DDWP está cheio: o filme começa com detalhes, closes mesmo, de uma cirurgia cardíaca de “peito aberto”, depois já mostra um pinto feio mole, o afogamento e vai que não para mais.

O que me interessou muito no filme foi o enfoque da relação BDSM do cirurgião, que tem a vida de pessoas em suas mãos, com sua dominatrix, que acaba tendo a vida dele em suas mãos e, com um toque de mestre, só percebe o quanto está colocando a vida dele em risco a partir das mãos do próprio cirurgião.

Parece enrolado mas nem é, e essa é a grande virtude do filme de J-P Valkeapää.

Outra delas foi ter Pekka Strang como o cirurgião Juha. Strang é o atro principal da cinebio de Tom Of Finland que nem é um bom filme mas que o que tem de bom é graças ao ator.

Eu não assisti aquelas bobagens dos 50 Tons de Cinza mas pelo que sei do que acontecia por lá, Dog s Don’t Wear Pants está anos luz à frente em relação ao BDSM.

Principalmente por levar o (não) casal principal a extremos sem nos meter medo ou nojo (como li em uma crítica) e por fazer com que o desenvolvimento das duas personagens seja muito mais impressionante do que qualquer espectador possa imaginar. Bravo!

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

2 pensamentos sobre “045/2020 DOGS DON’T WEAR PANTS

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