114/2020 ATRÁS DA ESTANTE

Nesses dias que tenho falado de documentários, Atrás da Estante é um dos que mais queria ver esse ano e acabou excedendo as minhas expectativas.

Atrás da Estante é um filme sobre uma icônica livraria de Los Angeles que na verdade era uma sex shop gay hard core, atrás das estantes.

A loja foi comprada por um casal judeu bem mas bem careta nos anos 1980 e de tão envergonhados que eram por causa da loja, nunca contaram a ninguém qual era a realidade de seu negócio, a não ser que era uma livraria como outra qualquer.

O filme foi realizado por uma das filhas do casal e o intuito era mostrar esse segredo e também mostrar o quanto a Circus of Books foi importante na história do circuito gay de Los Angeles, um lugar em princípio discreto mas que em épocas de segregação, início da “praga da Aids”, acabava servindo como ponto de encontro, além de outras coisas.

O que eu não esperava assistir era a história de uma das personagens mais repugnantes dos últimos tempos, Karen Mason, a dona da loja junto com seu marido Barry, um fofo.

Karen era uma judia radical, extremamente preconceituosa, grosseira, daquelas pessoas que nem dão a mão ao cumprimentar, que não olha nos olhos ao conversar (ou no caso, ao dar entrevistas para o documentário da própria filha).

Foi dela a “lei” proibindo seu marido de divulgar o real sentido de sua loja: ninguém da família, nenhum de seus amigos sabia da loja. Por 30 anos foi assim.

Ela sempre se dizia uma mulher de negócios, que não prestava atenção ao que estava vendendo, se eram consolos ou filmes gays ou poppers ou o que quer que fosse. A ela só interessava que os homens lá entrassem e comprassem o que tinha a venda. Era a homofóbica vendendo pornografia gay.

As cenas dela falando com seus fornecedores são de doer a alma, ela dizendo que não quer saber o que ela está comprando, s´ø queria saber o quanto venderia.

Ela e o marido passaram por um monte, foram processados na era Reagan, quando ao não vencer a guerra às drogas começou uma guerra à pornografia, por exemplo.

Karen Mason é o típico exemplo de uma pessoa fria e calculista que poderia trabalhar em qualquer lugar que não faria a menor diferença, como no caso, tendo uma sex shop e não se importando com nada além das vendas.

É a prova cabal do que falam que traficante de drogas não pode ser alguém que as use.

Ela e o marido estavam tão entranhados na indústria da pornografia que nos anos 1990 começaram a produzir filmes gays pornôs, ficaram amigos de diretores e produtores e atores e tudo mais.

Quer dizer, amigos não. Colegas. Os amigos de horário comercial.

Mas como as coisas nunca são como as pessoas planejam, Karen leva uma rasteira tão linda do destino que pelo menos me deixou mais aliviado.

Atrás da Estante é um belo de um documentário sobre a história gay americana, vista a partir de uma família absolutamente peculiar com uma das coisas mais legais que poderiam acontecer, um plot twist da vida real, uma reviravolta ba-ba-dei-ra.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

3 pensamentos sobre “114/2020 ATRÁS DA ESTANTE

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