204/2020 ARCHIVE

Archive é exatamente o tipo de filme que eu amo.

Ficção científica que sem muito esforço, discute filosofia em níveis altíssimos.

Falar da vida, do amor, de comprometimento, da superioridade do homem em relação a máquina, falar de memória como fala o diretor e roteirista Gavin Rothery nnao é pra qualquer um.

Em um lugar ao mesmo tempo paradisíaco e quase opressor nas montanhas do Japão, mora um cientista sozinho com seus robôs num emprego dos sonhos.

Ele conseguiu o melhor laboratório e a melhor casa para poder por alguns anos desenvolver inteligência artificial de ponta, em um mundo onde a tecnologia já alcançou níveis muito maiores do que temos hoje em dia, por exemplo.

O que seus patrões, ou patrocinadores, não sabem, é que George (o bonitão e talentoso Theo James) está na verdade criando a “robô” perfeita para nela implantar a consciência e as memórias de sua esposa morta.

Só que essa consciência não pertence mais a ele, mas sim a uma outra empresa e então ele não tem direito a isso.

Enquanto George tem muito sucesso nos robôs que cria, ele não mostra a sua chefe seu progresso e tem que aguentar sua cobrança. Ele tem certeza que se mostrar suas robôs, ela vai tirar de suas mãos antes de conseguir colocar sua mulher em uma delas.

Em princípio esse é o resumo de Archive, sendo que o arquivo do título seria o próprio arquivo de consciência da mulher morta.

A pegadinha do filme é que o tempo inteiro o personagem de George, vivendo sozinho com robôs, tem o tempo todo do mundo para pensar e refletir e pensar mais ainda sobre a mulher morta, sobre o amor, sobre a eternidade, sobre a própria vida.

E essa é a grande coisa de Archive, a profundidade que surge em meio a uma ficção científica com um suspense de dar nos nervos mas que no final das contas me fez refletir por uns bons dias sobre questões aqui levantadas.

Eu sinceramente achei que o filme seria um passatempo dos bons, mas é daqueles quase psicodélicos onde a experiência se torna quase religiosa se a gente estiver no clima de se entregar à profundidade proposta.

Filosofia pura com o verniz do filme de ação.

Além de tudo isso, Archive talvez seja o filme dos últimos tempos que mais homenageia Blade Runner, seja esteticamente, seja com detalhezinhos “copiados” do filme preferido da minha vida, como por exemplo, uns mini chaveiros de robozinhos ao invés do unicórnio de origami.

Fora a luz, o restaurante japonês, a dúvida dos robôs, a dúvida de George como o criador de andróides, ao invés de caçá-los.

E quando eu já me dava por satisfeito com o filme, Rothery vem e entrega os melhores últimos minutos de filme dos últimos meses.

Provavelmente você vai assistir Archive e achar que eu exagerei um monte, o que pode ser bem verdade, mas juro que se você souber de mais filmes nessa linha, me indique e me deixe feliz.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

2 pensamentos sobre “204/2020 ARCHIVE

  1. Filme muito mal elaborado. O roteiro foi tão picotado que o longa ficou totalmente sem nexo. O diretor, ou viajou na maionese ou fumou algo muito estragado. Nota 4 pra fazer favor.

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