266/2020 NARCISO E GOLDMUND

Narciso e Goldmund é um livro do escritor alemão Herman Hesse, vencedor do Nobel, que se tornou uma das caras da contracultura a partir da década de 1960 com seus escritos sobre liberdade e repensar a religião e o mundo.

O filme baseado no livro “infilmável” é dirigido pelo austríaco Stefan Ruzowitzky, que já venceu o Oscar de filme em língua estrangeira com o ótimo Os Falsários.

E como a gente vê, nada é infilmável, nem a história de 2 grandes amigos na Idade Média que se separam e se reencontram em situação adversa muitos anos depois.

Narciso e Goldmund são crianças que vivem em um mosteiro, sendo educados para serem padres ou monges, como eles mesmos dizem e se tornam inseparáveis.

Eu até achei em um momento que fosse desbancar para um soft porn com os 2 atores bonitões sempre brincando de se pegarem, mas foi um lapso meu que Freud explicaria.

Acontece que o lindo Narciso (nome apropriado) está bem focado em sua missão espiritual e quando tem dúvidas, inclusive sobre seu melhor amigo, vai pra salinha da punição e fica literalmente se chicoteando até tirar muito sangue para purgar seus pensamentos errôneos.

Já Goldmund, o boca de ouro, tem a alma livre, como ele mesmo diz e assim que pode, foge do mosteiro e vai procurar sua mãe que o abandonou quando ele era pequeno.

No livro, a história segue Goldmund com Narciso reaparecendo só no futuro distante, mas o diretor e roteirista teve a boa ideia de contar essa história com flahsbacks para ter os 2 amigos interagindo mais, o que é a grande coisa do filme, 2 homens diametralmente opostos com um amor fratenal e eterno um pelo outro contando como foi suas vidas enquanto estavam separados.

Sabe aquele super amigo que você fica anos sem encontrar mas quando encontra parece que está há umas horas sem se falar?

Narciso se torna o abade, o cara que manda no mosteiro todo, super respeitado e com uma aura abençoada linda, um personagem bem construído.

Goldmund é o aventureiro, mulherengo, ladrão, esperto, trapaceiro, tudo para sobreviver em um tempo onde a pobreza não era opção, mas sim o normal, passando por tudo, desde prisão, a se descobrir um artista, casamentos, amores e até a peste negra.

Os extremos se atraem comprovadamente por essa história. Os 2 personagens não poderiam ser mais diferentes, inclusive pelos cabelos, como você já pode ver no poster, o que não precisaria, um dos exageros bobos de algum espertão da equipe de arte do filme.

O filme parece até ter sido bancado pela igreja católica de tão bem que fala dos 2 amigos e do quanto a igreja é uma parte fundamental nessa história, mas é a forma que o autor do livro, Hesse, teve de usar um pano de fundo que pode ser bastante reconhecível para contar uma história de amor improvável.

Se você gosta de filmão lindo, com direção de arte perfeita, muito dinheiro bem gasto e com um roteiro amarradinho com personagens perfeitos, esse é seu filme.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

Um pensamento sobre “266/2020 NARCISO E GOLDMUND

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s