295/2020 MURMUR #MOSTRASP

Murmur é um filme ok, legalzinho, que conta a história daquela vizinha que todo mundo diz que tem, a “doida dos gatos”, aquela que tem 300 gatos em casa, onde tudo fede, é estranha, não se dá com ninguém e ninguém sabe direito sua história.

Donna começa o filme tendo que trabalhar em uma clínica veterinária como pena por ter sido pega dirigindo bêbada.

Aos poucos Donna vai pegando carinho por animais que vão para a eutanásia e resolve levá-los para casa, começando com Charlie, um cachorrinho todo fofo e tortinho.

Donna tenta falar com sua filha que não lhe responde de forma nenhuma.

Ela participa de reuniões de auxílio a alcoólicos sempre com uma cara de poucos amigos, cara de quem está lá porque foi obrigada.

Trabalha todos os dias limpando a clínica veterinária onde tem seu único lampejo de satisfação do dia, quando percebe que os bichinhos gostam de carinho.

E ela também gosta.

E precisa, já que não tem ninguém por perto.

Mas esqueça tudo isso, toda essa história que é bem sem gracinha, nada acontece ou tudo aconteceria melhor em um curta de uns 15 minutos.

Mas Murmur, em seus 80 minutos, é a prova de que Heather Young, sua roteirista e diretora, tira leite de pedra.

Por 250 mil dólares ela fez um filme muito bem feito, para o orçamento, claro, contou a história direitinho mas mostrou a que veio, só imagino o que ela fará com um orçamento e uma produção decentes.

As cenas, as sequências, os planos são todos com propósito. Digo até que a história é melhor contada pelos enquadramentos do filme do que pelo roteiro em si.

Ninguém aparece no filme a não ser Donna.

E se alguém aparece, não se preocupe, foi só para nos preparar para que Donna entrasse em quadro logo em seguida.

A maioria das cenas de Murmur é enquadrada na altura do joelho de Donna e assim ela passa muito tempo do filme no chão, deitada, ajoelhada, no nível dos seus bichinhos de estimação que, de uma hora para outra, tomam conta de sua casa.

Murmur em inglês quer dizer reclamar, mas pode ser o barulhinho que os bichinhos fazem quando ronronam e em dinamarquês quer dizer vovozinha, o que na verdade Donna é para seus bichinhos, com certeza, porque ela parece uma avó mesmo, diferente da mãe que cuida direitinho de seus filhos, a avó cuida como ela quer, geralmente mimando demais.

E essa é Donna, a reclamona, cara de mal humorada, a grumpy cat da vida real que é uma vovozinha fofa para seus filhotinhos.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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