027/2021 VITALINA VARELA

Enrolei meses para assistir Vitalina Varela, o representante de Portugal a uma vaga ao Oscar de filme internacional em 2021.

Me arrependo profundamente do tempo perdido.

Pedro Costa, o criador e diretor de Vitalina Varela prova com seu filme ser um gênio do cinema nessa segunda década do século XXI.

Vitalina Varela é uma mulher de 55 anos de idade que depois de 25 anos de espera por uma passagem, chega a Portugal 3 dias após a morte de seu marido.

E descobre que não tem o que fazer lá.

Ela passa seus momentos em terras lusas sob um claro-escuro caravaggiano transportado ao digital dos nossos tempos, como diria o outro, sem medo de ser feliz.

Em Vitalina Varela, Pedro Costa mostra que o cinema de autor, o cinema sem concessões, ainda é possível.

A tristeza do filme, o lânguido, o melancólico, não são só mostrados fotograficamente, mas principalmente pela direção de elenco, do pouco texto que é preciso e não mais do que o necessário, alguma coisa que não vemos mais no cinema falado de nossos tempos.

O silêncio, o não dito, é parte essencial desse novo universo que essa mulher habita sem entender o porquê.

Vitalina Varela é a fotografia da humanidade em 2021, que chegou atrasada para um funeral e não sabe o que fazer enquanto não volta para a segurança de casa.

Se é que um dia vai voltar.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

Um pensamento sobre “027/2021 VITALINA VARELA

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