071/2021 QUO VADIS, AIDA?

Não sei nem por onde começar os elogios a Quo Vadis, Aida?, o filme da Bósnia e Herzegovina, finalista a uma vaga ao Oscar de filme internacional e que pelo andar da carruagem, pode até levar o prêmio.

Na minha humilde opinião, deveria levar sem a menor dúvida.

Depois de meses de estar com o filme nas mãos, finalmente surgiu uma legenda em inglês decente e eu passei a noite de ontem aos prantos de felicidade depois dessa experiência obrigatória.

O filme se passa em 3 ou 4 dias onde Aida, uma professora de inglês de uma cidadezinha da Bósnia em 1995 que trabalha como tradutora do exército das Nações Unidas que lá está para proteger a região, até que o exército da Sérvia indo contra tudo e contra todos, invade a cidade fazendo com que a população se desespere.

A tensão que acontece nesses 4 dias é o tipo de coisa que a gente torce pra nunca passar na vida: não ter onde morar, dormir, não ter o que comer, não ter banheiro pra usar, não tem água pra beber e viver no meio do mato esperando ou um milagre que salve essas pessoas ou um outro tipo de milagre do mal que os mate de uma vez por todas.

Mulheres, crianças, homens, velhos, novos, bebês, todo mundo sem saber o que esperar e Aida no meio disso tudo tentando resolver o tipo de ajuda que pode ter o seu povo.

Apesar da tragédia esperada, já que da guerra não podemos nunca esperar o melhor.

O filme da diretora Jasmila Žbanić é não só muito bem escrito, com um roteiro que é uma aula de como se contar uma história.

Mas também muito, mas muito bem dirigido, onde todos os personagens, por menores que sejam, tem a profundidade necessária para nos fazer acreditar não só em suas palavras mas em qualquer meneio de cabeça.

Aida é vivida pela minha nova musa, a sérvia Jasna Đuričić.

Ouso dizer que ela seja a Fernanda Montenegro em Central do Brasil do Oscar de 2021.

Se o prêmio de Hollywood fosse justo (o que a gente sabe que não é), Jasna venceria e seria aplaudida de joelhos pelas outras concorrentes.

Sua Aida é a personagem que vai do sorriso ao choro de desespero em um piscar de olhos.

É aquela personagem que conta todo o filme com seu corpo e seus olhos, que quando não está em cena faz falta.

As sutilezas de direção e de edição de Quo Vadis, Aida? fazem do filme um néctar dos deuses do cinema, onde a história mais cruel é contada pelos olhos da personagem mais linda e humana.

Tomara que o Oscar faça dê a Quo Vadis, Aida? a visibilidade que o filme merece e que chegue por aqui o mais cedo possível.

#alertafilmão

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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