313/2021 AZOR

Azor é um filme suíço/argentino e o possível representante da Argentina na corrida pelo Oscar estrangeiro de 2022.

Em um mundo ideal, Azor seria um dos 5 finalistas.

Mas naquele mundo ideal Azor teria, por exemplo, vencido o Festival de Berlim e a Mostra de São Paulo também.

O filme dirigido pelo suíço que mora em Buenos Aires Andreas Fontana é uma aula de sobriedade e sutileza.

Fazia um bom tempo que eu não via uma mão tão precisa, uma direção quase cirúrgica, em um filme que, de novo, em um mundo ideal, seria um filme campeão de bilheteria.

Azor é um suspense, um thriller, um drama, um absurdo, que conta a história de banqueiro suíço que no final dos anos 1970 chega à Buenos Aires, no auge da ditadura militar, para lidar com seus clientes já que seu sócio desapareceu. Sumiu. Escafedeu-se.

E ninguém tem notícia do banqueiro tão bacana, que adorava uma festa, paparicava todo mundo, o cara que as mulheres queriam ter e os homens queriam ser.

Ainda mais sendo um banqueiro suíço, daqueles bancos legendários que ninguém sabe quem é o dono da conta ou como o dinheiro chega lá naquela conta.

Ivan, o novo “contato” dos milionários com suas fortunas é o extremo oposto: um cara sem graça, com cara de perdedor, sem charme algum e que se não fosse por sua esposa teria maiores problemas de aceitação.

Mesmo sendo um banqueiro suíço, onde se pressupõe que ele seja no mínimo milionário.

Mas na estreia na direção de Fontana, as coisas não são o que parecem ser.

Enquanto alguém não cochicha no ouvido de outro alguém, tudo é sub-entendido, nada é claro.

Porque, lembrem-se, o filme se passa no auge da ditadura argentina e as paredes tem ouvidos e olhos e cadernetas de anotações onde um passo em falso pode ser um escorregão fatal, exatamente o que pode ter acontecido com o ex banqueiro sumido.

O clima criado em Azor é de se cortar com uma faca de plástico.

O filme exala morte e medo por todos os seus minutos mesmo que nada disso nos seja mostrado.

A paranóia de Ivan para não perder clientes e claro, não perder dinheiro, só não é maior que a paranóia de um país inteiro, paranóia essa que existe até nas altas rodas que, em princípio, sempre está acima de qualquer suspeita.

Todos os louros possíveis para Andres Fontana e seu Azor, que sua trajetória seja frutífera.

E o filme tá no Mubi, melhor impossível.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

Um pensamento sobre “313/2021 AZOR

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