198/2022 ELVIS

Alerta de spoiler: Elvis morre no final.

Aquele papo de Elvis não morreu é só papo mesmo, sinto informar.

Brincadeiras à parte, finalmente fizeram um filme (quase) à altura do monstro que foi o rei do rock, Elvis Presley, o cara que viveu e brilhou em uma época em que era relevante dizer que ele foi o rei do rock.

Escrito e dirigido pelo mestre do cinema barroco Baz Luhrmann, de quem eu amo Romeu e Julieta e Moulin Rouge, Elvis infelizmente não atinge a grandeza pop desses 2 filmes.

O petardo de quase 3 horas de duração fala mais sobre o diretor australiano que sobre Elvis.

Baz escolheu contar a história de Elvis através de sua relação com seu empresário Tom Parker, o picareta que, como todo empresário picareta matou sua galinha dos ovos de ouro, como diz o dono de um cassino de Las Vegas (dizer que empresário picareta é pleonasmo?).

Elvis é vivido lindamente pelo praticamente desconhecido Austin Butler, um ator americano que até então só tinha participado de um monte de filme porcaria como sub coadjuvante, fora Era Uma Vez Em Hollywood que não é tão picareta mas onde ele foi um sub coadjuvante.

Mas quem diria, ele está maravilhoso como o rei, desde os 17 anos de idade, quando o coronel o descobre em um parque de diversões cantando até os 42 anos de idade quando ele, gordo, detonado, drogado, quando mal conseguia parar em pé, morre de “ataque no coração”, como chamavam overdose na época, lá em 1977.

Elvis morreu e o punk nasceu, bem pitoresco isso pro rock, ou pro fim do rock como o conhecíamos.

O coronel Parker, o vilão dos vilões, é vivido por Tom Hanks que nos entrega nada menos que um ator de sua grandeza deveria fazer.

Maquiado, com enchimentos, careca e cínico, o Parker de Hanks é o anti herói perfeito para o super herói que Baz nos faz crer que Elvis era.

O diretor usa e busa do amor do cantor pelo Capitão Marvel com sua gravata de raio, seus macacões com capa, seu super poder de “dominar” suas plateias, principalmente as mulheres, com seus rebolados sexuais, suas roupas extravagantes, seus ternos largos, suas calças de couro e suas poses de karatê, outra paixão de sua vida.

Aliás tem uma história ótima que a Liza Minelli conta que uma vez foi a uma after na cobertura do Elvis do hotel de Las Vegas onde estava o Alice Cooper, ela e 2 de suas bailarinas e o Elvis chegou com seu kimono e começou uma demonstração de karate com seu professor. Só imagino o nível de colocação dessa turminha.

Mas o filme.

Elvis começa bem nos mostrando a infância pobre, o pai sendo preso, a mãe protetora e a adolescência quando Elvis descobre a música negra e começa a gravar na Sam Records. O que é uma história incrível não dura nem 20 minutos de tão picotada e rápida que é.

E daí pra frente é uma desfile de cenas de shows do Elvis em tudo quanto é lugar mostrando sua escalada de sucesso. E esse é o problema do filme.

Elvis, o filme, não tem roteiro, não conta história na maior parte do tempo.

Baz escolheu nos mostrar as apresentações em “esquetes” curtos e rápidos e infindos por mais de uma hora e tanto de filme.

Cenas que a gente acha no youtube sem esforço nenhum ele reproduziu com perfeição, como a gente já viu na cinebio do Queen no Live Aid, lembra?

Pois é, só que lá foram menos de 10 minutos e isso dura por 1 hora e tanto.

Essa escolha estilística tira totalmente a alma de Elvis.

De repente Elvis, o cantor, chega em Las Vegas para shows e o filme dá uma guinada de 180 graus e alguém deve ter dado esse toque ao Bas e ele resolveu contar a história da decadência do super herói, ops, do super star.

E que história!

Pena que nesse momento eu já estava torcendo pra tudo terminar, já não aguentava mais o Baz querer aparecer mais que o Elvis, veja só. Cadê a Priscilla? Cadê a turma do Elvis, que ficou ao seu lado do início ao fim? Cadê os cantores famosos que viraram amigos do Elvis?

Nada, só tem Elvis tocando.

Apesar de todos os pesares, esse terço final do filme é impressionantemente bom: roteiro muito bem escrito e editado, elenco muito bem dirigido, direção de arte e figurino com todos os pés no Oscar 2023 e o melhor, Butler mostrando a que veio como um ator que sumiu para dar vida ao rei do rock.

O filme é gigante, a trilha é gigante (e bem boa) e o barroco, o exagero de Baz Luhrman que em seus outros filmes serviam perfeitamente à história, neste caso acabam por vezes mais atrapalhando por não haver uma história bem contada em um roteiro bem ruim.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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