292/2022 BROS – MAIS QUE AMIGOS

Eu juro que queria ter amado Bros, a primeira comédia romântica gay de Hollywood, feita por um estúdio gigante e lançada pela máquina de lá.

O problema é que o filme do Billy Eichner é só quase bom. Ou só meio bom.

Billy é Bobby, um quarentão gay que vive em NY e tem o trabalho dos sonhos em um museu da diversidade.

O problema, pra ele mesmo, é ser solteiro e achar que não se encaixa nos padrões gays (sim, a velha e cansada discussão de padrão).

Tanto que logo no início do filme ele vai a uma boate, fica impressionado com um lindo descamisado, fortão e “super padrão” que seus amigos consideram um idiota. E quando o bonitão Aron vai falar com ele, Billy fica na defensiva passivo agressiva, só dando patada e quase gritando pra cima do cara “pra se defender” de tanta beleza.

Se Bros continuasse só com esse drama, do nerd peludo magrelo se deixando levar pelo lindo, loiro e forte, talvez o filme fosse muito melhor e talvez conseguisse o sucesso de bilheteria que não teve, apesar de toda a reclamação de Billy Eichner reclamando que os héteros não iam ao cinema ver filme gay.

E que ele, Billy, tentou fazer um filme gay o menos gay possível para que os héteros fossem ao cinema assistir.

Pra mim, o grande problema do filme é colocar no meio da comédia romântica uma discussão absurdamente importante que é a aceitação LGBTQ pela sociedade heteronormativa.

Calma, a discussão é importante, a pauta é importante, mas eles levaram a sério demais esse tema em uma comédia.

Deveriam ter sido totalmente sarcásticos, espertos, inteligentes, como eles dizem o tempo inteiro que os gays são e que só por isso eles já são mais importantes que os héteros.

Sim, eu super concordo com isso, hétero é chato, sem graça.

Mas a heteronormatividade tomou conta do roteiro de Bros.

Tem uma cena que Aron pede pra Bobby ser menos barulhento, chamativo, menos gay, quando for conhecer seus pais. Bobby fica puta da vida com isso.

O que não avisaram Eichner, que vive o Bobby, é que ao escrever o roteiro, ele mesmo deu uma baixada de bola na “gayzice” boa do que poderia ter sido o roteiro e daí, já era.

Não conseguiu agradar os héteros, não conseguiu convencer os gays e não tem programa de tv nem entrevista pra site pop o suficiente que Billy vá com seu costar Luke McFarlane falar do filme que vá convencer as pessoas a irem ao cinema assistir um filme meia boca.

Tudo em Bros é bom: a história, o dinheiro que eles tinham de produção, o elenco só de pessoas LGBTQ, até o McFarlane que é um ator lindo mas medianinho tá bem. O problema é que Billy Eichner não tem a manha de ser protagonista de um roteiro meia boca desses que se segura e fico contido demais quando deveria gritar e se montar e descer até o chão e mandar beijo pra Madonna.

Imagina um filme desses sem citações a cultura pop a cada 5 minutos? Perderam uma chance de ouro, uma pena.

NOTA:

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