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164/2023 MASTER GARDENER

Eu sou cadelinha do Paul Schrader, o diretor e roteirista que começou a carreira escrevendo Taxi Driver e esse ano lançou Master Gardener, petardo estrelado pelo muso Joel Edgerton e pela Deusa Sigourney Weaver.

Master Gardener é um dramão, que bom, só que tem um problema que pra mim, pessoalmente, pega pesado e por momentos fiquei com raiva do filme: o herói é um ex neo nazi que desistiu da “carreira”, fugiu com ajuda do FBI, mudou de nome mas…

Sempre tem um mas, né.

O mas aqui é que Narvel, o ex neo nazi, mudou de nome, de vida, virou um super jardineiro (o do título), mas não apagou suas tatuagens nazistas que tem espalhadas pelo corpo inteiro.

Isso doeu pra mim.

Claro que eu entendo o que esse “pequeno” gesto significa no filme, mas não dá. O ódio que eu tenho de nazi, neo nazi, fascista, esse povo sem coração, me faz odiar esses pequenos deslizes, pra mim, ou no caso de Schrader, essa pequena escolha no cinematográfica.

Mas o filme.

É bom demais.

Narvel é esse super jardineiro, que comanda uma equipe incrível que trabalha em um jardim centenário e super importante na propriedade de uma mulher fina Norma (Sigourney), vinda dessa família tradicional cujo maior feito e ter esse jardim que é referência e melhor, serve de palco para eventos importantes, como um que está prestes a acontecer.

Para engrossar o angu, chega para morar na casa da ricaça sua sobrinha Maya (Quintessa Swindell), filha da irmã da pá virada, que morreu de overdose, que se casou com um homem do outro lado dos trilhos e teve uma filha que ficou largada até que Norma a acolhe e faz com que ela comece a trabalhar no jardim, sob os cuidados de Narvel, para quem sabe, um dia, ela se interesse pela jóia vegetal e se torne a próxima dona da propriedade.

Mas o que eles vão descobrindo é que Maya está envolvida com um traficante bem do mal e a história deles acompanha essa nova oportunidade da sobrinha.

E acaba respingando para quem estiver a sua volta.

Schrader consegue com seu roteiro transformar uma história de violência em algo quase bucólico.

Ou o contrário.

O filme me lembrou muito o início de Marcas da Violência do Cronenberg, se aquela primeira ideia virasse um longa.

E o que me decepcionou um pouco foi Schrader não ter aproveitado mais as cenas onde o ex neo nazi elucubra sobre plantas, onde ele desenha em seu caderninho de notas, onde ele fala sobre o jardim parecendo um catedrático dando aula na maior universidade do planeta.

Nas mãos de um Peter Greenaway, de um esteta, teríamos cenas lindas mas nas mãos do seco e frio Schrader temos uma aula de como criar um personagem para desconstruí-lo em algumas sequências à frente.

Narvel é o “macho” da propriedade, o homem que trata sua patroa como igual, o único que a chama pelo primeiro nome e com quem tem um laço sutilmente violento.

E o mesmo vai acontecer com Maya: o macho vai mostrar quem manda na parada.

Master Gardener não é o melhor Schrader e se bobear, seria melhor se dirigido por outra pessoas mas é um filmão, melhor do que a maioria mediana que nos acomete via industriona véia de guerra.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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