347/2024 MARIA

Eu sei que escrevendo isso vou estar dando matéria pra alguma creyça do Uol ou do Estadão online mas vamos lá, vai ficar mais uma vez registrada uma teoria minha que vai ser “usada” por alguém incompetente.

Com esse Maria, o terceiro dos filmes biográficos que o chileno Pablo Larraín faz sobre mulheres pelo menos incríveis do século XX, chego a conclusão que isso não é uma trilogia sobre mulheres incríveis.

Jackie e agora Maria, são na verdade filmes sobre o multi bilionário (e feio, como ele repete ad infinitum neste filme) grego Aristoteles Onassis e como ele acabou com as vidas de suas esposas, no caso, elas duas.

E neste Maria, a gente “descobre” como ele tratava as mulheres “que ele amava e casava”, em 3 cenas que me marcaram mais do que todas as que Angelina Jolie dubla a maior diva da ópera de todos os tempos, a americana, depois grega, Maria Callas.

Na primeira das cenas, Callas ainda casada é convidada pelo também casado Onassis para conhecer seu quarto, onde mostra pra ela uma estátua que vale mais que a cidade onde moro.

Ele conta que mandou roubar de um museu porque ama o significado e deixa escondida em seu quarto e só vê tal artefato quem lá entra. Callas na hora diz “como sua esposa”, ao que ele confirma.

Tempos mais tarde, depois de estragar a vida de Callas, pelo que vemos neste filme, ele começa a falar muito de Jackie, casada com o Kennedy ainda.

Um dia Callas está em um bar tomando um café quando chega o próprio presidente dos EUA e com ela fala que Onassis disse que queria mostrar para sua esposa Jacqueline um quadro de um dos mestres das artes que ela tanto amava, que ele tinha em sua casa.

Callas fala pro presidente que o quadro está em seu quarto, que só ela ou quem lá entra pode vê-lo. E pergunta “onde está Jackie?”, ao que ele responde que não sabe porque esteve trabalhando a noite toda e Maria diz pra ele que ela não dormiu com o marido, dando a dica que o bilionário feio já tinha feito o que sabia bem fazer.

A terceira cena é quando Callas visita Onassis em seu leito de morte, onde ele diz que sempre a amou e a admirou, ao que entra um segurança que diz “senhor, sua esposa chegou” e Callas precisa sair pela porta dos fundos.

Isso tudo pra mim foi a constatação que Jackie e Maria viveram o mesmo inferno na terra e foram retratadas pelo chileno em momentos de suas vidas pós Onassis, sendo que no final das contas, ele acaba sendo o amálgama das vidas dessas mulheres.

Inclusive, em outro momento, há a sequência da Marilyn Monroe cantando parabéns para o Kennedy, onde não vemos Jackie mas vemos Maria e Onassis na plateia.

A maior cantora do mundo fica encantada com a diva e sua voz pequenininha cantando happy birthday mr president e todo mundo ouvindo calado.

Ela diz para o marido “que poder tem essa mulher, que cantou sem ter voz nenhuma e mesmo assim todo mundo prestava atenção e respeito”. Ele responde “quando uma mulher dessas aparece, ela ganha a audiência com seu corpo e não com sua voz, ao contrário de você que ganha a audiência com sua voz, já que ninguém vai assistí-la pelo seu corpo”.

Sim, Maria é uma sucessão de socos na cara da diva da voz, onde ela é atacada cruelmente por todo mundo menos por seu mordomo e sua copeira/cozinheira, as 2 pessoas que a amaram até o fim.

Maria é de uma tristeza dilacerante e ao final, durante os créditos, mostram-se imagens da Callas sempre sorrindo, fofa, como se a mulher “louca” do filme fosse outra.

Angelina Jolie está ótima como Maria Callas, mas ela não dá um sorriso de felicidade o filme todo, só esboça uns risos amarelos e ri ironicamente algumas vezes, o que me deixou com mais certeza que se as imagens reais que assistimos nos créditos foram escolhidas a dedo dela sempre sorrindo, Larraín quis fazer um filme sobre a Callas que apanhou o tempo todo na vida e que continuou apanhando neste filme.

O filme sobre os últimos dias de Callas morando em Paris depois de abandonar a carreira e virar quase que uma piada acaba que servindo pra eu confirmar que não gosto mesmo de ator/atriz dublando cantores, já que nem mesmo o furacão que é Angelina Jolie me fez acreditar que era a Maria Callas que estava cantando através de sua boca ou que ela era sim Maria Callas no filme. Pra mim era o tempo todo la Jolie interpretando La Callas. E só.

Isto posto, acho que o diretor chileno Pablo Larraín é mais interessado pelo Onassis e criou um esquema rocambolesco falando de suas esposas para não falar na cara do bilionário grego.

NOTA: 🎬🎬1/2

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