Alguns dias atrás eu escrevi sobre a decepção que Dahomey foi pra mim, o documentário que venceu o Festival de Berlim 2024 e que está concorrendo a duas vagas ao Oscar 2025 nas categorias documentário e filme internacional, representando o Senegal, apesar de ser uma produção francesa, com dinheiro de outros países, daí a possibilidade dessa adequação.
Toda a crítica que leio sobre Dahomey é da importância da atualidade do filme, onde obras de arte roubadas da França da região de Dahomey, no Benin, são finalmente devolvidas a seu local de origem. E o filme joga à luz esse feito que deveria ser reproduzido por todas as nações que possuem artefatos roubados.
Agora, na minha modesta opinião, este No Other Land além de dar de 10 a zero, cinematograficamente em Dahomey, trás também à luz o talvez maior problema do mundo nos dias de hoje: a matança desordenadado povo palestino pelo governo e exército de Israel, aqui na Cisjordânia, na região de Masafer Yatta.
O que assistimos neste filme é o exército de Israel expulsando como não poderiam e como não deveriam as famílias que viveram mais de século naquela região, derrubando suas casas, escolas, tudo mesmo, a cada 2 ou 3 dias, sem pudor e sem culpa.
Mais uma vez assistimos um filme sobre o genocídio que acontece sob nossos narizes e que ninguém que poderia, faz nada para terminar com o horror.
A forma como o filme foi feito é nos mostrado no próprio filme, com as pessoas gravando tudo como podem, com o que tem às mãos e disponibilizando esse material quase que imediatamente em redes sociais e em arquivos enviados para os 4 cantos do mundo para que esse documento não se perca.
A chave do filme é a amizade entre um palestino que vive com sua família em Masafer Yatta e um judeu que aprendeu a falar árabe e vira amigo das famílias da região, tentando ser uma voz desse povo para dialogar com o exército mas sem muito sucesso.
O interessante é assistir em No Other Land a desconfiança que o povo da vila tem em relação ao judeu, achando que ele pode até mesmo ser um espião infiltrado.
Este filme é de cortar o coração pelas imagens, pela história sendo contada na nossa frente e principalmente pela impossibilidade de ajuda maior.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

