Apesar de muita gente falar que 2024 foi um ano difícil para o cinema, eu amei a leva que assisti nos últimos 366 dias (não esqueça que 2024 foi bissexto).
Tanto que foi tão difícil chegar nos meus 10 preferidos que são 11, já que 2 filmes empatam no primeiro lugar.
1. O “nosso” AINDA ESTOU AQUI me deixou chocado, encantado, maravilhado, apaixonado pela Fernanda, até porque entrei na sessão com os 2 pés atrás. E BIRD, o petardo irlandês de Andrea Arnold, me fez sentir confortável, amado, com a melhor trilha do ano e o apartamento onde queria viver o resto da minha vida.
2. THE COMPLEX FORMS é uma viagem surreal italiana que eu vi no meu preferido Festival indiezaço Slamdance, sobre um homem que vende seu corpo por 12 dias por uma fortuna, para ser possuído por um (ou mai de um) tipo de demônio. Ou ele acha. Falei que queria ser amigo do diretor Fabio D’Orta e a gente troca emails e mensagens constantemente.
3. O BANHO DO DIABO é a maior tradução do “cinemão” flertando direitinho com o horror, com a fantasia, sem ter milhões de dinheiros hollywoodianos, sobre uma tradição punk austríaca nem tão antiga onde crianças são sacrificadas “por um bem maior”. Horror, drama, tensão e mais horror.
4. Quanto mais os dias passam, mais eu gosto de CONCLAVE, o melhor thriller de muito tempo, com um Ralph Fiennes em estado de graça (ops) e com o melhor plot twist do ano. Aliás, é uma aula de plot twist desgraçado.
5. DUNA 2 fica ao lado de O Poderoso Chefão 2 e de O Império Contra Ataca como sequências que são melhores que os originais. E olha que aqui o primeiro Duna é um filmaço, mas Dennis Villeneuve usou e abusou de seu elenco estelar, o melhor que Hollywood pode oferecer pelo preço pedido, criando assim um show de interpretações para um texto incrível e “infilmável”.
6. Mais um filme onde o surrealismo e o onírico ditam as regras das POBRES CRIATURAS, que não são os bichinhos de estimação doidos. Nunca achei que poderiam recriar um Frankenstein até mais bizarro que o original. Parabéns ao nosso grego preferido, Yorgos Lanthimos.
7. CAMINHOS CRUZADOS é o melhor filme LGBT dos últimos anos sob as mãos, a cabeça e o coração do sueco Levan Akim que leva seus personagens bem pitorescos atravessar fronteiras à procura da mulher trans que não sabe que a mãe faleceu.
8. Só queria saber se hoje em dia tem diretor mais doido e mais genial que o romeno Radu Jude. Eu acho que não. NÃO ESPERE MUITO DO FIM DO MUNDO é uma comédia que só não é surreal porque a realidade de Jude é melhor e mais interessante que a nossa.
9. LA CHIMERA é a lindeza, a pureza, a delicadeza em forma de filme, mesmo que o filme seja sobre um ladrão de antiguidades e sua turminha. Ou talvez por isso mesmo o filme seja tão lindo e delicado. Mais uma vez a italiana minha preferida Alice Rohrwacher tira leite de pedra, ou melhor, tira amor de onde a gente menos espera, o que é assim na vida real e elevado à enésima potência vira Obra de Arte.
10. THE PEOPLE’S JOKER talvez seja o maior e mais abusado indie feito nos EUA já que a diretora Vera Drew faz um filme sobre o Coringa, seu autorização de ninguém, sem pagar direitos e o melhor, a visão de Drew é muito boa sobre o vilão dos vilões dos quadrinhos.

