Tudo Que Imaginamos Como Luz é o sucesso internacional indiano que só não foi sucesso na Índia tanto que indicaram outro filme para representar o país no Oscar.
Eu vinha pensando o quanto esses comitês erram nas indicações, como a gente viu no Brasil nos últimos anos quando indicaram uns absurdos para o Oscar no lugar de filmes, como este, que foram sucesso em festivais pelo mundo como Bacurau, por exemplo.
Até assistir Tudo Que Imaginamos Como Luz.
Ainda não vi o filme indicado pela Índia então a comparação entre os 2 não existe mas este drama lindo não me convenceu tanto.
Tudo Que Imaginamos Como Luz parece filme “festivaleiro”, como são conhecidos os filmes feitos para sucesso e prêmios em festivais, filmes para “inglês ver”, que por um lado podem ser maravilhosos mas por outro podem ser lindos mas ordinários.
Por exemplo, este Tudo Que Imaginamos Como Luz, apesar de se passar em Mumbai, me pareceu a história mais genérica de um drama que se encontra no mundo inteiro, que é o de mulheres que mesmo vivendo no século XXI se sentem tolhidas de seus amores por detalhes quase insignificantes principalmente para nossos dias. Apesar de ter um roteiro maravilhoso.
Um amigo disse “estava duvidando” que Tudo Que Imaginamos Como Luz seria mesmo um filme vindo da Índia se tinha pelo menos 2 cenas bem “ousadas” para aquela cinematografia. Cenas que para nós mero ocidentais, não significam nada demais, um mamilo de mulher de fora e uma mulher agachada no meio do mato fazendo suas necessidades matinais básicas.
O filme é sobre 3 mulheres que trabalham juntas em um hospital de Mumbai e tem suas vidas pessoais também interligadas, mais por necessidade do que pela amizade em si, que pode ou não vir a acontecer.
Uma delas, Prabha, é a enfermeira chefe do hospital cujo marido se mudou há 10 anos para a Alemanha e não dá sinal de vida há anos, deixando a mulher no vácuo se ela continua ou não casada, o que atrapalha bem sua vida.
Anu é a enfermeira assistente que aluga um quarto na casa de Prabha e que apesar de parecer sozinha ou não querer se casasr com o homem que seus pais estão acertando, ela tem um namorado muçulmano que ninguém pode saber a respeito, nem suas amigas, nem a família dele. Mas pra quem ela faz tudo, claro, como não deveria.
Parvaty é a cozinheira do hospital que está perdendo sua casa para a especulação imobiliária. Ela não tem pra onde ir, nem para a casa minúscula de seu filho, então resolve abrir mão da guerra contra o Golias do prédios altos e volta para sua vila natal onde nem eletricidade tem em casa.
As 3 se unem por um bem maior e a amizade que talvez existisse só pela necessidade acaba aparecendo como um sentimento que estava enrustido, apagado.
Descobrir o amor, por qualquer forma que seja, é um dos melhores momentos da vida de qualquer pessoas.
Assistir o momento exato de uma descoberta dessas, onde as 3 mulheres entristecidas da cidade grande de Mumbai, que vivem em seus mínimos claustros de moradia e trabalho, finalmente se abrem para o céu e o mar, para as imensidões e vão entendendo que com esperança, tudo tem seu caminho. Se é entregar sua casa para uma construtora, se é ter que respirar fundo e desviar das declarações de amor de um médico quando você, tecnicamente, ainda é casa. Ou ter que se esconder, se disfarçar, viver como num “filme de suspense” para poder passar alguns momentos com seu “namorado”.
A mudança de ares, de perspectiva, abriu os olhos de nossa 3 protagonistas e o meu coração, mas não ao ponto de ter que engolir um personagem afogado chegando na praia e que seja a solução de um problema enorme, onde ele mesmo dá o discurso final que remete ao título do filme.
Tudo Que Imaginamos Como Luz é “moderninho”, diferente de Bollywood, é filme pra gringo se conectar com as entranhas da Índia, mas ainda tem um ranço filosófico paternalesco velho que me tirou um pouco o amor que eu vinha sentindo pelo filme.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

