038/2025 ACOMPANHANTE PERFEITA

Como são as coisas.

Eu fui assistir Acompanhante Perfeita achando que o filme seria uma porcaria.

Não sei porque.

Eu não costumo nem ler criticas e nem mesmo assistir trailers de filmes.

Eu gosto de entrar na sessão de mente aberta, apesar claro de todos os preconceitos que eu posso ter em relação a quem dirige, ao elenco e mesmo ao tema de alguns filmes.

Mas desta vez eu achei que tivesse lido que o filme era uma porcaria.

E passei a sessão inteira sendo surpreendido por um roteiro muito bom ao mesmo tempo que eu esperava o momento que o filme fosse degringolar.

E Acompanhante Perfeita não decepcionou.

O filme começa como uma comédia romântica onde um casal bem fofo, Iris e Jack, estando se preparando para irem passar o final de semana na casa de uma amiga de Jack, Kate, que não gosta muito de Iris.

Quer dizer, a primeira frase de Acompanhante Perfeita é de Iris falando: os dos melhores momentos da minha vida foram o dia que eu conheci Jack e o dia que eu matei Jack.

Logo a gente descobre que primeiro, Jack não é tão fofo assim com Iris, que ele é bem escroto e abusivo mesmo.

E que segundo, Iris é um robô.

E que essa viagem para uma casa lindíssima isolada no meio do nada, que é do amante russo milionário da Kate, tem um propósito: usar a robô Iris para matar o russo e fugir com os 12 milhões de dólares que o cara tem no cofre da casa.

E a Kate tem a senha do cofre?

Ô se tem.

Todas as senhas de Sergey são a mesma: o dia do nascimento de Stalin.

Em um filme como Acompanhante Perfeita, uma ficção científica de suspense, com vários toques sanguinolentos de horror, esses detalhes são sempre importantes, como a senha do russo ser o nascimento do outro russo.

Ou como a importância dada ao saca-rolhas elétrico.

Ou também a história de como o outro casal de amigos que também foi para o final de semana, Patrick e Eli, se conheceram em uma festa à fantasia.

O problema é que em Acompanhante Perfeita o roteiro exagera tanto nesses detalhes, ou nessas dicas, que a gente fica notado achando que tudo é dica.

Como eu disse o filme não é ruim, mas poderia ser muito melhor se alguns detalhes não fossem tão “exageradas”. Ou super utilizadas.

O que faltou em Acompanhante Perfeita foi sutileza e sangue.

Sim, pode parecer incongruente eu querer sutileza e também querer sangue mas estamos falando de um suspense com os 2 pés no horror, como aliás a maioria dos filmes pop dos dias de hoje tem esse flerte com o gênero sanguinolento da moda.

Eu consigo entender o quanto um filme como Acompanhante Perfeita sofre nas mãos de produtores e mais produtores que opinam sobre todas as fases do filme, mais ainda do que o próprio diretor que deveria ter dirigido o filme como esses produtores e donos do filme queriam e pode deixar que os donos do dinheiro também são os donos de como o filme vai parecer e ser lançado.

Daí as sutilezas vão por água abaixo e a gente fica vendo esses detalhes todos que vão se repetindo e repetindo e a gente espera ou que eles sejam alguma dica importante ou que pelo menos não sejam alguma forma de distração inútil.

E a falta de sangue que eu senti é porque quando tem sangue, o filme flerta com o gore, como A Substância também flerta com o exagero, como a gente vê no final do filme da Demi Moore.

Aqui a gente percebe também que a enxurrada de surpresas, ou de plot twists, ou de reviravoltas de roteiro, acabam virando quase que o ponto principal de Acompanhante Perfeita. 

Mas infelizmente a gente sabe que muito plot twist acaba sendo decepção mais do que surpresa em si.

E por falar em surpresa, acho que Acompanhante Perfeita perdeu a maior oportunidade de todas no final do filme, que poderia ser o plot twist do século, a melhor surpresa de todas. 

Pena.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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