O diretor britânico Mike Leigh é daqueles que ou faz filme maravilhoso, como meu preferido Segredos e Mentiras, Naked e Vera Drake ou faz filmes “inúteis”, que não servem pra nada, como este Hard Truths.
Pra começar, a atriz Marianne Jean-Baptiste, estrela deste Hard Truths, esteve pairando como um fantasma pela campanha de Fernanda Torres em sua corrida por uma indicação ao Oscar.
Parabéns para o marketing da distribuidora do filme porque Hard Truths não tinha sido lançado no início da campanha e alguns poucos críticos tinham visto, que com uma “ajudazinha”, conseguiram de alguma forma bombar Marianne como estando maravilhosa no filme.
Acontece que não tem jeito, e o mesmo aconteceu com Nicole Kidman em Babygirl: quando o filme é lançado e todo mundo assiste, não só os críticos amigos das distribuidoras e produtoras, esses filmes não se sustentam.
Hard Truths é uma bobagem que eu juro que fiquei os 90 minutos de exibição esperando por um plot twist que obviamente nunca veio, porque Mike Leigh nunca o faria. Mas se fizesse, seria A revolução cinematográfica do ano.
Hard Truths, Verdades “Duras”, é o que Pansy precisa ouvir de vez em quando.
Ela é uma mulher deprimida, estupidamente raivosa, grossa e sem vergonha de brigar com todo mundo e qualquer um que ultrapasse seu caminho. A mãe mais insuportável da história do cinema inglês.
Ou melhor, com qualquer um que também não ultrapasse seu caminho, como um casal em uma loja de sofás escolhendo um para comprar e a “fofa” da Pansy dá um esculacho neles por estarem sentados no sofá que vão comprar.
Ou quando ela briga na fila do supermercado com a atendendte do caixa, depois com as mulheres que estnao atrás dela na fila.
Ou quando ela briga com seu filho idiota encostado de 22 anos que vive com os pais e só atrapalha. Segundo a própria.
Ou quando briga com o marido o tempo todo porque, por exemplo, ele ronca.
Ou porque é grossa com a irmã mais fofa do mundo.
Pansy é a Karen americana, aquela mulher escrota que só quer encrenca e que depois de ouvir umas verdades diras, se faz de coitada.
Acontece que o filme é só isso. E ficar assistindo a vida de uma personagem escrota dessas não é legal. E pra piorar todos os personagens à sua volta são uns idiotas em comparação. E ela faz gato e sapato de todo mundo por isso mesmo.
Eu gosto de ver vídeos de Karens se ferrando mas nesta bobagem anódina, insípida, incolor e equivocada de Mike Leigh, faltou Pansy quebrar a cara. Ou ter a cara quebrada por alguém.
Nem Marianne salva.
NOTA: 🎬🎬

