Lá em 2023 quando eu assisti Femme no Fantasia Fest e fiquei impressionado e apaixonado pela Jules, eu não imaginei que o filme se tornaria não só como o melhor filme gay/lgbt dos últimos anos como também se tornaria o filme referência.
E eu acho que Layla, o romance gay/lgbtq gay também inglês, também com uma drag queen como personagem principal, seguiu o caminho aberto e pavimentado com ouro pela história de amor/horror de Jules lá atrás.
Layla é uma drag incrível, referência no underground londrino, cheia de amigos incríveis, fazendo shows e sempre montadérrima, linda, empoderada e poderosa.
Mas Layla sai com gay padrão que sempre se “desinteressa” quando vê, por exemplo, no chão do quarto, unhas postiças. E o mundinho de amor de Layla se desmancha, já que ela é do tipo que se apaixona por um beijo.
Mas um dia, em um evento que ela ee contratada para ser hostess e descobre que seu cachê alto na verdade não era exatamente o que prometeram, Layla faz um fechamento icônico a ponto de impressionar Max, um dos sócios da agência que a contratou e que pede para sair com a drag para comemorarem o que deu errado.
Depois de um dia que não saiu como planejado, a noite na boate, acompanhada do marketeiro baixinho, se mostra perfeita.
E Layla começa a se interessar por Max e se jogar com um pouco mais de animação na “relação” do que ele, que vai aos poucos mas que se mostra interessado também.
A história de Layla, o filme, é contada sem nenhum dos cacoetes dos filmes gays com drag queens, onde elas são sempre as amigas escandalosas do gay principal.
Mas aqui, como em Femme, as drags, as estranhas, as undergrounds, são as protagonistas, são as personagens principais e, pra nossa sorte, não são as caricatas do filme, apesar de serem as caricatas para os olhos desacostumados.
O roteirista e diretor Amrou Al-Kadhi trabalha muito em produções grandes como ator e eu acho que ele deve guardar o dinheiro desses cachês para seus projetos mais ousados como este Layla. E o ousado aqui é fazer um romance onde uma drag queen incrível é a personagem principal, fofa, apaixonadinha e uma ótima amiga, em um roteiro quase óbvio, como em todo bom romance.
Mas a forma que Layla é retratada acaba sendo o ponto alto do filme e mostra quanto o diretor Al-Kadhi sabe escrever o nada óbvio para personagens que sempre foram estereotipados e o melhor, conseguindo fazer um filme muito bom com isso tudo.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

