Eu juro que queria ter gostado mais de Control Freak, body horror competente mas que fica devendo muito.
Escrito e dirigido por Shal Ngo, o filme conta a história de Val, uma dessas “gurus” motivacionais que a gente tanto tem bode e torce pra ela sumir das nossas vistas.
Ela é casada com Robbie, que dirige seus vídeos, suas fotos, seus eventos e quer desesperadamente ter um filho com a fofa, mas não sabe que ela toma anticoncepcionais escondida porque ela tem medo do que pode vir por ali.
A mãe de Val, anos atrás, “morreu” afogada e o pai dela é um ex soldado que hoje é um monge junkie.
Sim, o cara é um monge viciado em heroína, coisa que Val seo descobre quando vai encontrar o pai porque precisa de documentos originais da família, tadinha.
Apesar de Val ser aquela mulher poderosa e empoderada, que dá palestras pra centenas de mulheres, ensinando todas a serrem suas melhores versões e toda aquela papagaiada de auto ajuda truqueira, ela mesma tem um problema de coceira na cabeça bem radical, o que a levou a fazer um tratamento psiquiátrico pesado, tomar remédios poderosos e mesmo assim coçar a cabeça até sangrar, fazer buraco e muito mais. E Val também é “perseguida” por formigas que a incomodam, nos incomodam mas quando sabemos a razão do delírio é um dos pontos altos do filme. Dos poucos pontos altos do filme.
O que ela não sabe é que essa coceirinha seria o menor de seus problemas: Val descobre que sua família, e ela por consequência, é aterrorizada por um demônio vietnamita chamado Sanshi, que vem lá do folclore mais caipira possível e que se alimenta de partes do corpo das pessoas que ele “possui”.
Daí a gente acompanha a jornada bem errática de Val tentando lidar com esse demônio, de qualquer forma possível, o que resulta em uma das cenas mais horrorosas e pesadas e gráficas e explícitas dos últimos tempos do horror corporal, que deveria ter me causado uma náusea absurda mas que ainda não sei porque eu sobrevivi.
Talvez porque o “pecado” de Control Freak venha do diretor focar mais no drama sem graça de Val e seu marido e sua vida em casa e no trabalho ao invés de focar no folk no horror caipira, no demônio, nas tradições, na razão do pai ser junkie, na razão da mãe ter morrido, da tia ser uma fumante horrorosa.
O problema do filme é que, como sabemos, a vida dessas influenciadoras, coaches, sei lá como elas se definem, são chatas. Elas são chatas. E por mais que Val seja vivida pela ótima Kelly Marie Tran, eu queria mais monstro no filme, mais cabeça destruída de tanto coçar, mais piada com ela ficar presa na cama, mais marido malucão, que aliás, quse estraga o filme porque o ator escolhido para ser o marido tem cara de adolescente que começou a ter bigodinho mas que ainda tem cara de menina.
Pra piorar tudo, o poster é péssimo.
NOTA: 🎬🎬🎬

