Desde muito pequeno, meus pais professores me entupiram de lendas e histórias fanteasticas e me fizeram amar muito o folclore brasileiro. Eu me lembro particularmente de um tipo de fichário que a minha mãe tinha (e que se perdeu) onde ela todo ano ia acrescentando desenhos e textos e informações sobre os seres lendários e sobrenaturais do folclore, material sempre derivado de pesquisas que ela fazia com seus alunos para o dia do folclore, que sempre foi (e sempre será) dia 23 de agosto, antes dessa papagaiada de inventarem o dia do saci no 31 de outubro para tentarem “acabar” com o Halloween que seria uma festa americana.
A partir desse início de paixão pelo folclore, eu sempre procurei saber sobre lendas do mundo todo, histórias fantásticas, de horror, de medo, de assombração, de fantasmas, de seres “de outros mundos”, de seres do nosso mundo mesmo e me lembro exatamente como caíram nas minhas mãos a coleção de livros das Brumas de Avalon, quando descobri que lendas e folclore poderiam ser levados a sério e poderiam ter o tratamento adequado com uma coleção de livros como essa.
Se eu precisasse de alguma coisa para me deixar desesperadamente de quatro, achei.
Príncipes perdidos, cavaleiros, magos, bruxas, do bem e do mal, cálice sagrado, espada presa na pedra, o salto do Excalibur da Disney para as Brumas dos livros mudou com a minha percepção de arte e fantasia e me fez amar principalmente castelos e lugares sagrados em florestas perdidas.
Se fosse me lê sempre aqui, sabe que o cinema fantástico, o cinema de fantasia, é o meu gênero, digamos assim, preferido e este Hagen, por mais gigantesco e monumental que seja, é um filme que me deixou paralisado.
Hagen von Tronje foi um viking que se juntou a deuses e seres antigos para lutar por um reino que nem era seu.
Ele esconde de todo mundo o seu passado, o seu poder real e vira um “mestre de armas”, um confidente do novo rei, apaixonado pela princesa irmã do monarca e sofrendo calado de amor, claro. Tudo isso no universo das Valquíria e dos Nibelungos que a gente tanto ouviu em Wagner e leu a torto e a direito como sendo, inclusive, o universo onde Tolkien teria se inspirado para criar o seu universo o seu Senhor dos Anéis, anel que inclusive, é objeto fundamental nas lendas dos Nibelungos.
Eu não me lembro de já ter assistido um filme que contasse alguma história desse universo e pretendo sanar essa falha de caráter cinematográfico com alguns títulos que já encontrei. E mais ainda, pelo que vi em Hagen, já quero ler tudo o que encontrar sobre o universo dos anões e seu anel.
Hagen, o filme, é gigante: bem dirigido, com um roteiro legal, bem explicado e o melhor, com uma direção de arte inacreditável de linda para contar a história do rei gordinho que não sabe lutar e é “cuidado” pelo viking Hagen e que ao receber como seu aliado um matador de dragões bonito e forte, tudo o que o rei não é, o monarca resolve se enveredar por caminhos perigosos, inclusive o de viajar até as terras da Islândia para lutar para se casar com a Valquíria, rainha da Islândia, que mata todos os seus pretendentes e só se casará com aquele que conseguir derramar seu sangue em uma batalha de espadas de vida ou morte.
Repito: Hagen é lindo demais por causa da direção de arte incrível onde figurino, cabelo e maquiagem, contam as histórias de cada personagem sem que eles precisam dizer uma palavra sequer.
Hagen é o filme que eu espero que um dia seja realizado no Brasil sobre alguma saga folclórica, sobre um saci pererê da vida, que não seja só retratado em programas infantis como o Sítio do Picapau Amarelo.
Sangue, violência, grosserias, escuridão, lama, atitudes radicais, tudo em Hagen foi criado para que a percepção do espectador seja transferida para aquele mundo.
E comigo eles conseguiram.
Rezando para a curupira para que o filme vira uma série nos moldes de Game Of Thrones pelo menos.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

