157/2025 MISSÃO: IMPOSSÍVEL – ACERTO FINAL

Eu tinha certeza que começaria este texto dizendo que Tom Cruise, o “dono” da franquia Missão Impossível, fechou a saga com chave de ouro.

Mas não.

O capítulo final, ou o acerto final do título da saga de Ethan Hunt, tem todos os signos que Cruise fez com maestria essas últimas décadas desde o primeiro filme de 1996, dirigido pelo mestre Brian De Palma, que deixou todo mundo desconfortável no cinema vendo um por um da equipe perfeita de Hunt morrendo na nossa frente e dando o ritmo do que viria pelos próximos 30 anos.

Missão: Impossível segue o bandido/espião/desertor/geniozinho Ethan Hunt tentando e (spoiler) sempre conseguindo literalmente salvar o mundo das garras dos piores vilões de todos, que deixam os caras malvados do 007 a ver navios.

Os roteiros e as ideias de todos os 8 filmes lançados nestes 30 anos são aulas de criação de mundo, de espionagem, de resolução de problemas impossíveis e claro, de criação de vilões

Missão: Impossível – O Acerto Final é um dos melhores piores exemplos de como fazer tudo isso errado. Em um filme bilionário.

A primeira aula de roteiro em uma escola é: você NÃO DEVE explicar em texto o que o espectador está vendo na tela. Na mesma aula se diz, se você tem que ficar explicando as coisas através de seus personagens seu roteiro é ruim e está cheio de problemas.

Pior ainda quando a direção vai pelo caminho das explicações, como se o áudio e o vídeo fossem legendas complementares, só duplicando o chato das explicações.

Vou dar um exemplo, se você ainda não viu esse filme.

Lembra como os filmes anteriores com um compiladinho de explicações rápidas, em uma edição bem frenética, com uma direção de arte única, que acabou virando referência? Ah, melhor, sabe quando você vai assistir um episódio novo de sua série preferida e ele começa com um “previously on…” e faz um resumo dos episódios anteriores? Este Missão: Impossível tem esse compilando pelo filme inteiro.

É gente explicando tudo, explicando o que está acontecendo, explicando o que já aconteceu (com compilado de cenas que já passaram) para explicar o que eles estão fazendo, explicando o que vai acontecer (com compilado de cenas que ainda não foram mostradas) e a pior cena de todas, um momento crítico onde Ethan Hunt explica para a personagem de Hayley Atwell o que ela está sentindo e o que ela vai sentir, enquanto eles estão prestes a serem torturados pelo malvadão Gabriel. Ela é tratada como uma idiota mesmo sendo uma mulher bem poderosona.

Mas pior que tudo isso é que Missão: Impossível – O Acerto Final é na verdade um filme para mostrar que Tom Cruise é o dublê de si mesmo, o que a gente já sabe faz tempo.

Mas aqui a escalada de cenas perigosas onde ele andava em cima de um trem em movimento, saltava de um barranco de moto e abria um paraquedas e muito mais. Aqui o importante é ver o cara pendurado em um avião dos anos 1940 por quase 20 minutos, ou nadando sob a calota polar com uma máscara criada para o filme por mais 20 minutos. Chato.

Fora que o filme tem a pior decisão que Ethan Hawk tomou nos 8 filmes da franquia não pegando o “veneno cibernético”, que se tivesse pego economizaria pelo menos 1 horinha de filme, mas daí não seria uma missão impossível de ser resolvida.

Pra não dizer que não gostei de nada, achei muito acertada a decisão da direção de arte de criar uma “sala de guerra” do governo dos EUA old school, meio que saída do Dr Strangelove, filme do Kubrick. Só com essa “sala” daria pra produzir uns 3 indies raiz de horror que competiriam no Fantasia ou no Fantastic Fest.

Mas o cientologista Tom Cruise tem que fazer filmão pra lavar um dinheirinho de Hollywood também, né? Brincadeira, porque a franquia de Missão: Impossível é uma das poucas onde vemos todo o dinheiro gasto na tela, não tem aquilo de pensar “mas pra onde foram os milhões do orçamento?”. Aqui foram nas cenas dos aviões, dos mergulhos, dele pulando de para quedas que pega fogo e por aí vão.

Apesar de todos os pesares, o filme é divertido e emocionante, daqueles de comer um balde de pipoca e querer outro porque não chegou nem na metade.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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