Dus coisas bem pitorescas antes de falar do filme em si.
Eu já fiz 2 viagens de navio, ambas no navio da Chilli Beans onde fui dj em 2 anos seguidos. Viagens incríveis mas não piso em um navio de novo a menos que me paguem muito dinheiro. Ambas as vezes que fiz os cruzeiros eu pensava sobre vários perrengues que poderiam acontecer caso desse algum problema grave no navio e nunca pensei em não poder fazer cocô porque o navio não comportaria um cagatório geral.
Outro detalhe é que a história real deste documentário aconteceu em 2013 e eu tinha certeza que tinha rolado tipo 2 anos atrás.
E que história é essa, Porchat? Lá em 2013 um navio gigantesco e cruzeiro, ao fazer uma viagem de 4 dias pelo Golfo Do México, teve seus cabos de energia todos queimados em um incêndio na casa das máquinas, que foi logo controlado e que a tripulação acreditaria que assim que tudo esfriasse era só apertar um botão e tudo voltaria ao normal. O que não aconteceu.
O último dia de viagem do cruzeiro foi totalmente sem energia, o que quer dizer sem energia para navegar e voltar à terra firme, já que o edíficio flutuante estava em alto mar.
(Quando eu cheguei ao porto de Santos e vi o tamanho do navio da Chilli Beans fiquei chocado, parecia um edifício flutuante, até você entrar e começar a circular pelo navio, daí parece uma cidade flutuante, toda mal decorada, cheia de carpete feio, comida horrorosa e bebida da pior qualidade. E essa não é uma crítica à Chilli Beans, muito pelo contrário, se não tivesse sido o evento deles a viagem teria sido um horror de depressão).
Voltando ao navio sem energia, o problema de não se moverem foi logo resolvido por terem um telefone via satélite no navio, ligaram e pediram ajuda.
O problema é que tudo no navio parou de funcionar, tudo que era elétrico, eletrônico: fornos, geladeira, água quente e talvez o pior de tudo, a descarga dos vasos sanitários.
Cruzeiro do Cocô, o filme, não é nada demais, é um documentário feiro para uma série mediana da Netflix que se chama Desastre Total, de onde eu já fiz resenhas de filmes anteriormente. E os produtos são sempre bem feitinhos mas nada profundos em investigações, como poderiam ser, com dados inéditos, por exemplo.
Neste caso, o Cruzeiro do Cocô trouxe alguns detalhes que pra mim são inéditos, como por exemplo todos os turistas ignorarem uma nova regra que deveria ser seguida no navio, que ouviram pelos alto falantes, dita pela “voz do Navio”: por favor, não façam cocô nas privadas; nós vamos deixar sacos de plástico vermelhos em todos os quartos, usem esses sacos e depois de bem amarrados, deixem nos corredores que o dia todo tripulantes passarão para recolhê-los.
Claro, americanos classe média baixa se achando os reis do mundo continuaram a cagar (desculpe) nas privadas até que tudo se entupisse e a água do esgoto do navio começasse a voltar não só pelas privadas das cabines de 4000 turistas, mas também pelas pias de seus banheiros. Lambança feita, taí o navio do cocô. Certo? Errado?
Depois que todo mundo já andava pelo navio pisando em esgoto, chega finalmente um rebocador, aqueles barquinhos fofinhos, geralmente vermelhos, que conseguem rebocar uma cidade flutuante na boa.
Só que. E aí que é o interessante, esse “só que”.
Só que quando o rebocador “gruda” no navio de cruzeiro e começa a puxá-lo, o navio fica um pouco torto para um dos lados e assim vai pela imensidão do oceano, que felicidade daqui a pouco os 4 mil tontos, ou melhor, turistas, chegam em casa sãos e salvos.
Sãos, salvos e todos cagados porque essa caidinha, essa entortadinha do eixo do navio foi o suficiente para toda a água de esgoto, todo xixi e todo cocô presos, entupidos na fosse do navio, começasse a sair pelo chão, pelas paredes por todos os buraquinhos que encontravam fazendo daquele o mal fadado Cruzeiro do Cocô.
Horror da vida real desgraçado, porque se alguém fizesse um filem desses ia virar comédia do tipo “só acredito vendo” daí vê e diz “não acredito”.
NOTA: 🎬🎬🎬

