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178/2025 ENIGMA

Enigma é quase um filme ótimo.

A diretora Zackary Drucker, “artista multimídia, produtora cultura ativista LGBT, atriz e produtora” que aqui forçou uma barra que “estragou” este documentário.

Ela conta as histórias de um ícone trans, a cantora, atriz e DIVA da disco music Amanda Lear, que dá uma entrevista divertida e tensa para a diretora Zackary, onde ela conta sua vida, seu início nos cabarés de Paris, seu casamento e sua carreira como disco diva e atriz de prestígio.

O contraponto de Amanda Lear, no filme, é outro ícone trans (não para Amanda), a artista inglesa April Ashley, que segundo a história, foi a “mãe” de Amanda, que chegou ao Carrousel de Paris como um menino magrinho querendo ser mulher e artista” e sob as asas de April “virou” a mulher incrível que todos conhecemos.

Infelizmente April morreu antes da diretora Zackary rodar este filme, então ela conta com muito material de arquivo, entrevistas da diva principalmente na tv inglesa onde o tempo todo ela era chamada de ele, lá pelos anos 1970’s, sempre entrevistada por homens mal educados que faziam questão de deixar claro que ela “era homem”, quando ela dizia ser “homem lá embaixo e mulher aqui em cima”, apontando para o cérebro.

Já que April não foi entrevistada por Zackary, ela entrevistou outras artistas da mesma época, principalmente Bambi, um dos grandes nomes do cabaré parisiense dos anos 1950/60.

Bambi, bem velhinha mas bem consciente, conta várias histórias e a que me deixou mais emocionado foi de como ela conseguiu “passar por mulher”, para viver uma vida “normal”, se tornando professora, onde se aposentou e nunca foi “descoberta”.

A histeoria toda de entrevistar essas artistas é para tirar a limpo uma afirmação de Amanda Lear: que ela não era trans, que ela era mulher.

Amanda jura de pés juntos que é mulher e April, ao que parece, pasosu sua vida desmentindo essa história da carochinha. Tanto que Amanda, quando inquirida sobre April, diz que já ouviu falar dela, lá longe, mas nunca a encontrou, não lembra nem direito do rosto dela, sendo que como disse, April diz que Amanda morou em sua casa e que ela, April, tinha sido a reponsável por toda a transição de Amanda.

Amanda, bem xoxando, diz que não se lembra de April porque ela nunca foi famosa, não era cantora, nnao era atriz, tinha só trabalhado no Carrousel nos 1960 e sumido porque sempre tinha sido só mais uma.

História boa, filme deveria ser bom, né? Sim, deveria.

O problema é que a diretora Zackary Drucker força uma barra absurda para Amanda dizer que é trans, assumir que mentiu, assumir que conheceu April, que existiu a ligação toda. E força a barra de uma maneira muito desconfortável, tanto que Amanda a partir de um momento para de falar e a diretora continua “se você assumir a história seria uma lição de vida para as novas gerações, você é uma referência para muita mulher trans” e bla bla bla e Amanda impávida.

Lembrei da história de quando a Gabi Gabriela entrevistou Cazuza e forçou a barra para ele assumir que “tinha AIDS”, como ela disse à época e ele não quis. Mas ela pelo menos forçou em off, sem ter gravado e sem ter colocado no ar.

Já Zackary Drucker foi indelicadíssima e pela primeira vez no filme ela aparece na câmera, diferente de sempre estar em off no restante do filme, o que prova que ela queria mesmo era aparecer e conseguir o “furo” de qualquer maneira.

Saiu frutrada.

Como eu também saí ao final.

NOTA: 🎬🎬🎬

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