Friendship é o novo filme que a A24 está tentando transformar em “filme do ano”. E mais uma vez a queridinha vai falhar fortemente.
Friendship, ou Amizade, não é ruim, é uma comédia de humor bizarro (antigamente tinha outro nome esse humor) sobre a amizade de 2 vizinhos bem diferentes.
Só que o filme se propõe a ser tão malucão que por muitos momentos se perde e não é nada, já que atira pra tudo quando é lado e como todo mundo que tem o olho maior que a barriga, acaba ou com fome ou com vontade de ir ao banheiro.
Só que no caso de Friendship, terminar com uma dessas vontades não é ruim porque a estreia na direção de Andrew DeYoung deixa o espectador desconfortável, incomodado, dando sorrisinhos de canto de boca, torcendo pra todo mundo se dar mal no final porque o filme é sobre um povo tão sem graça que tá doido.
Craig, um executivo de publicidade ou de administração ou de marketing, algum desses cargos cada vez mais burocráticos, é casado com Tami, uma sobrevivente do câncer que aogra faz arranjos de flores e tem seu escritório em casa ajudado pelo filho Steven.
Um dia ela pede que Craig vá entregar um pacote para o vizinho, já que o entregado de novo deixou na casa errada.
Ele então conhece Austin, o vizinho que acabou de se mudar, apresentador da previsão do tempo no jornal da tv local, outro cara sem graça, desiludido, que em princípio mora sozinho e vê no vizinho uma possibilidade de nova amizade. Tanto que eles começam a se encontrar sempre, para a felicidade da florista que agora pode encontrar seu ex sem o marido se importar tanto.
Fim.
Porque o filme é sobre os encontros (e depois desencontros) dos vizinhos, que sem nada em comum, se aproxima e aproveita a proximidade física, por morarem perto, para aproveitarem uma carência qualquer.
E sério, o diretor flerta com o bizarro do David Lynch, sem ter coragem de se aprofundar muito nos personagens doidos, que ele mesmo criou. Ele flerta com o pastelão de 3 Patetas, faltou pouco para ter torta na cara, mas também se segura.
E esses flertes, que acabam servindo para maquiar uma falta de ideia, atrapalham mais que ajudam.
O roteiro cai para uma possibilidade de triângulo não amoroso, mas que na verdade coloca Craig, o marketeiro sem graça, no ápice desse triângulo com o vizinho de um lado e a mulher do outro, em histórias desinteressantes, sem graça, com personagens também desinteressantes que, como eu disse, me fez torcer por uma bomba atômica cair naquela rua.
Friendship é sobre homens carentes, mulheres de saco cheio, amizades que acabam antes de começar, gente sem graça, gente que se fosse meu vizinho eu daria só bom dia/boa noite de longe e olhe lá.
Filme estranho com gente esquisita, eles não tão legais e nem eu, que bom que terminou.
Ah, saiba que o que deu meia claquetinha de ponto foi a caracterização do Paul Rudd, que faz o vizinho do tempo com cara de “macho”, pela primeira vez na vida, já que sempre tem cara de bobo.
NOTA: 🎬🎬🎬

