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181/2025 MY MOM JAYNE

Eu tenho uma teoria de que quanto mais dinheiro/fama/poder alguém tem, mais infeliz/perturbado/perdido esse alguém é.

My Mom Jayne, Minha Mãe Jayne, é um documentário escrito e dirigido pela estrela de televisão Mariska Hagertay (vencedora de Emmy por Law and Order SVU) sobre sua mãe uber famosa Jayne Mansfield.

Eu me lembro o dia que descobri esse parentesco, anos atrás quando Mariska e seu SVU estavam no topo das séries e ela disse isso numa entrevista pro Dave Letterman. Na hora eu pensei “ué, mas só vai falar isso e mais nada?”. Não entendi o porquê.

Anos e anos depois, vendo este documentário da HBO, entendo muito.

Jayne Mansfield foi uma das grandes estrelas de Hollywood nos anos 1950/60 e começo dos 1970’s, uma Marilyn Monroe “genérica”, uma atriz que quando foi fazer seu primeiro teste nos 50’s para o papel de Joana D’Arc em um filme, o diretor do estúdio disse para ela: você está me mostrando seus atributos errados, e mandou que a produção pintasse seu cabelo platinado, apertasse sua cintura, subisse seus seios e a colocasse em roupas justíssimas.

E assim nasceu um mito, o da loira tonta, meio burra, de voz quase infantil mas que deixaria os homens lambendo o chão que ela pisaria.

E assim foi. Muitos filmes, muito dinheiro, muita fama mas nenhum poder, sempre sendo a loira burra e nunca chegando ao nível de sua ídola Marilyn. Uma grande frustração para a mulher que falava 5 línguas, tcava violino, piano e só queria ser uma atriz respeitada.

Tem um momento neste documentário onde vemos Jayne e seu marido Mister Universo dando entrevista para o gênnio Groucho Marx em seu programa, onde ele diz que Jayne era uma das mulheres mais inteligentes que ele já conheceu na vida e que torcia para que um dia todo mundo a visse como ele a via.

Corta para alguns anos atrás quando a filha Mariska resolve se “reencontrar” com a mãe de quem sempre teve vergonha.

Mariska, atriz, bem diferente da mãe que todos veneravam e que ela própria não conheceu direito por ter ficado órfã aos 3 anos de idade.

Mariska atriz, que depois de viver uma vida de sofrimento por ter primeiro vergonha da mãe e depois raiva, muita raiva, teve finalmente força para entender a história de Jayne e para isso entrou de cabeça no arquivo da mãe. E o arquivo era grande, já que ela era muito meticulosa, arquivava tudo sobre sua carreira, inclusive as fofocas. Em um galpão, Mariska vai abrindo caixas e mais caixas, guardadas há décadas, de onde sai não só poeira mas fantasmas que pairavam sobre a vida da filha, alguns bons e muitos outros nem tanto.

Quando eu acahva que a histórias não sairia de uma mesmice, o filme começa a nos mostrar segredos guardados há muito, mas muito tempo e que confirmam a minha teoria lá de cima que a vida desses ricos e famosos são sempre desgraçadas.

O que me disseram uma vez foi “mas pelo menos eles sofrem com muito dinheiro, esquecem de tudo comprando bolsas, o que só confirma minha teoria, de que quanto mais bolsas, mais sapatos, mais carros, maior o buraco aberto no coração desse povo.

A redescoberta, ou mesmo descoberta, da vida de Jayne pela filha que não lembra da mãe é como uma viagem profunda aos buracos escuros da alma, daquelas viagens que quando a gente volta a primeira coisa que faz é vomitar, para expurgar tudo mesmo.

E neste filme, os detalhes mostrados durante a história contada, o caminho de pedaços de pão para lembrar da volta, vão se explicando e nosso queixo vai caindo, só confirmando que Jayne deve ter sido sim inteligentíssima, muito esperta e muito espirituosa.

Mas o que teria de novidade na vida de uma estrela do nível de Jayne Masfield que a gente ainda não saiba?

Muito.

E o que Mariska passa, não só na vida, mas também para fazer esse filme é uma aula de força, porque muito do que ela conta, como ela mesma diz no filme, são histórias que não precisariam vir à tona. Mas quando aparecem, além de explicarem muito coisa, fazem da história mais interessante ainda, mais épica até, apesar de todos os pesares, de todo sofrimento, principalmente do sofrimento calado, por qual passam muitas personagenss, que na verdade são pessoas que existem por causa daquela “loira burra” que só queria fazer filme “sério”, bacana e nunca a deixaram.

NOTA:

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