Um dos meus posts mais recentes foi sobre o documentário Enigma, onde a diretora, de uma das formas mais rudes possíveis, tentou tirar uma confissão extremamente íntima da cantora e atriz Amanda Lear. E perdeu o jogo, já que Amanda falou exatamente o que quis. E mesmo com a insistência estúpida, Amanda não perdeu a “pose”. E a diretora saiu totalmente derrotada dessa “batalha”energúmena de 1 pessoa só.
Aqui em I’m Your venus temos outro tipo de batalha, que me deu borboletas na barriga ao assistir, uma batalha bem diferente de Enigma e olha, coincidentemente ou não, ambos os filmes são documentários sobre mulheres trans.
I’m Your Venus é sobre um ícone da comunidade LGBT+, Venus Xtravaganza, estrela do filme Paris Is Burning, um dos maiores documentários da história do cinema, lançado em 1991 sobre a comunidade ballroom em Ny, lançado inclusive após o assassinato de Venus, o que até hoje causa uma comoção enorme, principalmente pelo que vemos dela no fime.
Corta para 32 anos depois onde vemos os irmãos de Venus se reunirem para homenageá-la, todos machos escrotos da então periferia de NY tão legais com a irmã trans, jovenzinha, à época, já que ela foi criada pela avó e a partir de um momento, foi criada pelos Xtravaganza, sua família escolhida, família ícone criadora da cena ballroom.
I’m Your Venus, disponível na Netflix, é sobre como os irmãos de Venus, 34 anos depois de sua morte, tentam na justiça a mudança de nome da irmã para Venus Xtravaganza Pellagati.
32 anos depois. Tarde demais, né, gente.
Eles dizem que querem homenagear a vida da irmã e suas escolhas.
Pra mim, um pouco estranho os caras esperarem tanto, já que são tão bacanas, simpatizantes e tudo mais.
A diretora Kimberly Reed acompanha os irmãos em reuniões com advogadas, com ativistas trans que têm Venus como referência de vida e de luta.
Até que os irmãos tem um encontro com Maximo Xtravaganza, tio de Venus em sua nova família, que conviveu com ela até o treagico dia de sua morte em 1991, alguém que Venus considerava família.
Quando Maximo encontra os irmãos de Venus 32 anos depois de sua morte, ele chega com cara de poucos amigos, o que eu achei estranho.
Mas ao ser indagado sobre Venus, sobre como ela vivia em sua nova família e principalmente o que ela falava de sua família anterior, a coisa fica boa.
Maximo pergunta logo de cara “vocês querem mesmo saber?” e quando os irmãos dizem que sim, Maximo solta que Venus só falava bem da avó, que se sentia desprezada por todo resto de sua família e por isso tinha se distanciado de todo mundo e mudado de nome.
Os irmãos ficam com cara de bunda, incrédulos porque com certeza achavam que Maximo diria que ela sentia falta deles, que eles não sabiam o que faziam, mas não, ao ser confrontado pelos irmãos se ela não estava falando da mãe que os abandonou, ele deixa bem claro que Venus falava também dos irmãos.
Maximo deveria ganhar um abraço porque a maneira que ele lida com essa sia justa é fenomenal.
O problema do filme é que a diretora logo corta a reuniãozinha e vai para outro tema, o que me decepcionou bastante porque o que vemos dali pra frente não é nada interessante comparado ao que acabamos de assistir.
Diferente de Enigma, onde a diretora tentou ser a fodona, tentou “lacrar” (odeio esse termo e aqui o uso pejorativamente) em cima de Amanda Lear, aqui os irmãos acharam que teriam a aprovaçnao póstua da nova família de sua irmã mas a invertida que tiveram deixou os irmãos sem reação.
Eu agradeço a diretora Kimberly por ter deixado a sequência deste tombo no filme, mas adoraria ver o final do encontro, que eu ainda estou chocado que está na Netflix. Que o streaming abra os olhos e lance mais filmes como este.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

