A gente sempre ouve aquele “vivendo e aprendendo” mas aqui eu digo: assistindo filmes e aprendendo.
Esse drama violentão Sovereign (Soberano), escirto e dirigido com brilhantismo por Christian Swegal, é baseado num tipo de “gente” nos EUA que se entitula como “sovereign citizens”, cidadãos soberanos.
Segundo o google eles são “pessoas” que nega a soberania do governo do EUA, vivendo totalmente à margem da sociedade e de suas leis, quer dizer, na verdade eles se dizem acima das leis.
No filme a gente acompanha pai e filho que vivem como cidadãos soberanos, seem pagar impostos, aluguel, sem ter documentos, como se não existissem mesmo para o governo, ou assim eles pensam.
O pai ganha dinheiro dando palestras/aulas de como as pessoas podem e devem se portar contra tudo o que deveriam fazer como pagar aluguel ou responder intimações depois que os aluguéis e os impostos não foram pagos e o banco ou o governo ou quem quer que seja bate em suas portas para retomar o que não mais lhes pertence.
O pai (Nick Offerman em seu melhor papel em anos) é um homem violento que cria o filho com mnao de ferro, o educando, claro, em casa, vivendo como pode , se virando com as aulas que dá e fugindo de investidas da lei e da ordem.
O filho (vivido pelo não mais molequinho Jacob Trembley) adolescente se perde porque ao mesmo tempo que acompanha o pai, ouve o que ele lhe ensina, o ajuda nas palestras, ele quer ir para a escola, ter amigos, se relacionar, dar risada. Mas não pode. E vivendo em um ambiente tenso, de uma violência psicológica horrorosa, suas chances não serão as melhores na vida.
Enquanto pai e filho ficam fujindo o tempo todo de suas obrigações civis, quer dizer, com a sociedade, eles também buscam proteção própria com armas, munição e sempre se preparando para o pior, com tensões à flor da pele, como vemos por exemplo em um momento que o pai vai preso e o menino é levado a uma instituição onde fica com outros adolescentes em poder do Estado.
E ali vemos pela primeira vez a vida nos olhos do filho, aquela socialização que ele sempre procurou existe e ele a encontrou, mesmo tendo passado por depoimentos para um policial bem duro (Dennis Quaid) que lida com sua família quase que da mesma forma que lida com quem ele prende.
Mas logo volta o pai, solto e mais raivoso e a vida piora mais e mais.
O roteiro do filme é uma caminhada para o topo da desgraça ou para o mais profundo inferno na terra, neste drama que logo se transforma em um horror da vida real protagonizado por personagens que só poderiam existir em um país à beira da implosão social como os EUA e todos os seus grupos milicianos, paramilitares, extremistas e neo fascistas.
Sovereign, daqui uns anos, provavelmente será revisto como um estudo sobre os estopins da decadência do “império americano”, o que é interessante e horrível ao mesmo tempo.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

