Bolívia. Menina deve ganhar prêmio de melhor atriz: um espetáculo. Paisagens mais lindas muito bem fotografadas. Luz incrível. Realismo fantástico latino com pitadas de horror e crueldade.
Eu juro pra vocie que não esperava assistir um filme lindinho boliviano em um Festival de cinema de gênero canadense.
Ah, esqueci de avisar: a personagem principal do filme, uma menina de seus 8 anos de idade, comeca o filme matando o pai alcoólatra e abusador esmagando sua cabeça com uma pedra.
Só que a pedra tem formato de coração. Fofa, né?
Cielo é a história dessa menina, Santa, que pretende levar o cadáver de sua mãe até a praia, como os peixes disseram pra ela fazer.
Pra isso, primeiro ela coloca o cadáver da mãe dentro de um tonel cheio de sal para ser conservado na jornada.
Depois Santa troca 2 sacos de batata pelo carro do padre. Enquanto isso ela aproveita para ressuscitar um condor majestoso que estava morto no caminho.
Esqueci de falar que Santa, além de inteligente e esperta, ela tem poderes sobrenaturais. Além de falar com os peixes. Que ela consegue porque sua mãe costumava “amamentá-la” com peixes, quando Santa nasceu.
O diretor espanhol Alberto Sciamma aproveita estar filmando em um dos lugares mais lindos do mundo, o meio do nada boliviano, e além de nos entregar uma história única, estranha e fofa, nos entrega algumas das cenas mais lindas do ano, de céus perfeitos em desertos infinitos, da igreja do padre cansado, do vilarejo com as dancarinas que são presas com Santa e muito mais.
Cielo não é um road movie per se, mas posso chamar de história que se passa em um caminho como o de uma estrada mas que existe mais dentro da cabeça da personagem principal.
E falando em Santa, não poderia deixar de falar em Fernanda Gutiérrez Aranda, a mini querida, atriz incrível que vive a menina perdida pelos salares bolivianos.
Aviso aqui o pessoal do Fantasia Festival: Fernanda merece todos os prêmios possíveis de atuação, deste festival e de qualquer outro que ela concorrer. Há tempos não via uma criança tão talentosa, tão em controle de sua personagem como vi aqui. E o que Fernanda faz como Santa não é fácil. Começar o filme estraçalhando a cabeça do pai com a pedra de coração dá uma pista do que vem por aí mas não nos prepara para o show que estamos prestes a presenciar de Fernanda como a heroína Santa, que vai mudando as vidas das pessoas por onde passa, pelo caminho que vai deixando para trás, para o bem e para o mal.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

