Olha só que legal, mais um filme do Cazaquistão na seleção do #Fantasia2025.
Mas ao invés da violência e horror do filme do Yerjanov, Sasyq (Fedorento) é quase que uma comédia de família, com um pouco de tensão e suspense. E com o extre terrestre mais feio e mais fofo desde o ET do Spielberg.
Aliás este filme, que é a estreia na direção do ator cazaqui Yerden Telemissov, é quase que uma nova versão de ET, com alienígena caído, escondido, querendo voltar pra casa e se tornando parte também de uma família improvável.
Sasyq se passa num boteco de estrada no meio do nada do Cazaquistão onde o fedorento do título, um sem teto que vaga pelo local tentando conseguir sempre uma vodka ou um pão ou um sabonete da dona do lugar, uma senhora bem grossa e sem paciência que cuida da neta fofa que passa o dia online no seu iPad.
Sadyk, o fedorento que sempre tem uma citação em latim na ponta da língua, de saco cheio, tenta tirar a vida de todas as formas possíveis e falha miseravelmente. Em sua última tentativa, enquanto pendurado em uma torre de metal bem alta, ele vê um disco voador caindo logo ao lado e logo encontra o ET machucado.
O alien fica escondido no banheiro público ao lado do boteco de Nadya. Só que o banheiro é na veerdade uma construçãozinha de madeira com buraco no chão, de onde sai aquele cheiro horroroso de fossa quase que a céu aberto.
Sasyq é um filme sobre perdedores, sobre escórias da sociedade, inclusive o próprio alienígena, que precisa se sconder na merda para não ser morto/abusado/preso ou todas essas alternativas.
A história do homem triste, da mulher cansada e do alienígena perdido aos poucos vai se tornando uma história de amor pela família possível formada ao acaso, meio que como uma forma de sobrevivência.
A metáfora apesar de óbvia, funciona muito bem no roteiro do diretor Telemissov, que vai transformando o drama em uma possibilidade de final feliz à medida que o vilão da história, o prefeito/delegado corrupto do lugar começa uma limpeza geral na redondeza porque um comboio do governador vai passar por lá e vai para para conversar com a população.
Se ele manda sumir com os sem teto, se manda pintar as fachadas dos botecos, imagina o que ele faria se soubesse que um et está vivendo no esgoto ali ao lado.
Sasyq é engraçado, esperto, bem fotografado, com um elenco ótimo mas que se perde um pouquinho no final. Mesmo assim, a surpresa cazaqui é linda e espero que o filme seja disponibilizado logo pra felicidade geral da nação.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

