Quem diria que o mesmo #Fantasia2025 que lançou o novo Takashi Miike, Blazing Fists, lançaria o novíssimo filme do mesmo Miike, Sham.
Quem diria 2 que o mestre dos universos mais variados do cinema finalmente faria um filme baseado em uma história real. Mais chocante ainda é que seu filme é tão real que por momentos eu achei que estava assistindo um documentário.
Tá, exagerei um pouco mas é que não esperava ver um filme de tribunal dirigido pelo mestre japonês da violência. Se bem que Sham é um filme sobre violência brutal, mas violência da vida real, já que o filme é baseado num escândalo que parou o Japão.
Sham é sobre o apedrejamento virtual e real de um diretor de escola de ensino fundamental acusado de abuso de poder com um aluno, pegando no pé indiscriminadamente, dando castigos físicos que o machucavam muito como o “pinóquio” e o “dumbo” e pior de tudo, que deu dicas de como o aluno poderia e deveria se matar.
Tudo porque o menino é neto de um americano, aquele povo odiado que matou tanto japonês na Segunda Guerra Mundial e por isso tinha sangue podre e cérebro fraco.
Sham começa com a história dos abusos do professor me fazendo até sentir enjoo de tão extremas que são suas ações.
De repente, em uma virada de “Rashomon”, vemos a versão do próprio professor de tudo o que aconteceu, ou melhor, de nada que tenha acontecido, que tudo tinha sido criado pelo menino e por sua mãe.
A partir daí começa o julgamento do professor, acusado pela família e pela mídia encabeçada por um jornal sensacionalista que usa um repórter para conseguir tudo o que pode (e o que não pode) para pintar o professor como um monstro predador.
Takashi Miike faz um filme que parece ter saído das mãos de um diretor inglês comedido e certo do que está mostrando. Miike finalmente nos mostra o quanto ele é grande sem precisar usar seus “truques” maravilhosos cinematográficos para colocar seu espectador no meio da violência, sem sangue espirrando na lente da câmera, sem pernas quebradas, só com atuações incríveis de um elenco super bem dirigido que entrega tudo e um pouco mais.
Como já disse o outro, o diretor de cinema, para inventar, para recriar, para inovar, precisa saber muito bem, conhecer a fundo o seu ofício e aqui Miike prova de uma vez por todas, não que ele precisasse provar nada, que ele é sim um mestre da sétima arte, é O cara que sabe como contar historias, que é comedido quando precisa e que é um monstro atrás das câmeras de uma forma que nunca tínhamos visto antes.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2


Um pensamento sobre “213/2025 SHAM”