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217/2025 BURNING

Tem filme mais legal do que um de horror violentão construído em cima da idéia genial do Rashomon do Kurosawa onde a mesma história é contada sob vários pontos de vista diferentes?

Este é Burning, Queimando, uma pérola do Quirguistão direto do #Fantasia2025.

O filme é sobre um incêndio na casa de um casal em uma cidadezinha/vilarejo, suas causas e consequências.

O legal é que se a gente pensar com afinco, a ideia do Rashomon é meio que a ideia de fofoca, de versões, de olhares, observações e conclusões diferentes acerca de um fato.

Aqui é o incêndio da casa que acontece logo depois que a mãe do marido chega para ajudar a cuidar da esposa grávida.

Ou assim acreditam os vizinhos e observadores de fora.

O que a gente assiste no filme do diretor Radik Eshimov é um roteiro muito bem escrito, muito bem realizado a ponto de eu achar que cada versão da história contada era a versão final/correta, quando a gente sempre sabe que cada história tem pelo menos 2 versões.

Ou 3 neste caso, já que são 3 pessoas envolvidas.

Ou mais versões, já que temos os fofoqueiros de plantão.

Burning é um filme totalmente “caipira”, já que se passa fora da cidade grande e como todo filme caipira que eu tenho visto recentemente, principalmente os de gênero, são os melhores possíveis. As personagens não são as mesmas que a gente já se cansou de ver, são sempre personagens com cara de “simplezinhas” mas que na verdade são profundas e mais interessantes do que a classe média sem graça da cidade grande e seus problemas de depressão porque o celular parou de funcionar.

Atente-se que eu nnao falei praticamente nada sobre o que acontece dentro da casa prestes e queimar porque o quanto menos soubermos, melhor, já que as surpresas são muitas.

Burning tira seu espectador da tranquilidade. A história da casa incendiada e da família disfuncional que vamos entendendo à medida que as veersões da mesma história são contadas atravessam a surpresa imediata e vão deixando marcas em nossa percepção que vão se juntando até que se transformam em um susto generalizado e o melhor, não só pela história, pela loucura, pelas possibilidades mas também pela ousadia do diretor Radik Eshimov em seu estreia anos longas, que fez o que devia e o que eu não esperava.

Bravo!

DRAMA: 🎬🎬🎬🎬

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