232/2025 SUN NEVER AGAIN

Historinha ótima: no final dos anos 1980’s, o Mac Donald’s inaugurou em São Paulo o que viria por muitos anos ser conhecida como a maior loja da rede de lanches do mundo, na esquina da rua Henrique Schaumann com a avenida Rebouças, em um dos cruzamentos mais movimentados e caóticos da cidade.

Mas o que ficou famosa nessa esquina foi uma casinha espetada no meio do estacionamento da loja, um pedaço de uma casa gigante demolida décadas atrás, onde morava uma família que a ocupou.

A casa por anos foi um símbolo de resistência da “invasão gringa”, coisa linda de se ver. Até que a prefeitura conseguiu retomar o poder da casa que foi demolida e o terreno virou uma pracinha preservada pela loja.

Diretamente da Sérvia este Sun Never Again tem uma história de resistência muito parecida com esta que contem.

Baseado na vida da avó do diretor David Jovanović e de sua própria infância, o filme conta a história da última família em sua casa idílica que resiste em um terreno dentro de uma cidadezinha que foi toda comprada por uma empresa que vem expandindo seu poderio na região através do controle da mina local.

Vid é o herói da nossa história, o herói da resistência, que faz questão de mostrar para seu filho pequeno Dule, um dos mais fofos personagens do ano, que enquanto há vida, enquanto há forca, há possibilidade de resistência.

Mesmo com todo dinheiro que lhes é oferecido, mesmo com o último dos vizinhos que acabou de ir embora, mesmo com sua mulher já encaixotando tudo em casa e dizendo que só está guardando o que eles não usam, mesmo com as explosões na mina cada vez mais perto que fazem sua casa tremer inteira.

Vid constrói com seu filho Dule uma estufa, com a madeira de uma das árvores que ele mesmo podou e que com a ajuda do moleque vira uma metáfora não tão óbvia mas sim fantástica do que está acontecendo naquela família.

A casinha de madeira coberta de plástico, construída a 4 mãos e cuidada por Dule, que inclusive conversa com Deus vez por outra para pedir ajuda nas decisões que vem sendo tomadas pelos adultos da família, a pequena estufa acaba virando um porto seguro do menino sonhador e do pai também sonhador, que não sabe o quanto mais vai aguentar a pressão da empresa, da esposa, do padre e dos vizinhos.

Como a avó do diretor David que teve que vender sua casa, encerrar toda a história de sua família na vila tomada pela mina, por motivos de sua saúde piorar muito pela poluição vinda sim dessa mina, Vid sofre até o último momento possível, bebe para esquecer, constrói a casa de plástico como uma forma de sem querer, planejar seu futuro e do seu filho.

Os olhos do diretor David, sua câmera não intrusiva e muito plácida nos levam ao interior desse drama quase fantástico, quase surreal, de tão hiper realista que é, com um elenco incrível tão bem dirigido que parece mais um documentário onde as pessoas são “reais” e suas histórias estão se desenrolando naqueles 72 minutos de filme.

Sun Never Again é uma pérola que vem fazendo o circuito de Festivais com láureas das melhores e meu desejo é só que o filme seja comprado por alguém porque essa história merece ser vista.

P.S. – a boa notícia é que o filme vai representar a Sérvia no #Oscar2026.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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