Se você nunca ouviu Jeff Buckey (que feio!) ouça e entenda a música feita até hoje.
Desde que em 1994 ele lançou seu primeiro e único álbum, a obra prima incontestável Gloria, depois de anos como um adorado músico de estúdio, ninguém passa incólume por canções como Mojo Pin e Hallelujah.
Hallelujah, a canção que virou preferida de todo participante do American Idol ou do The Voice, que todo mundo acha ser uma música religiosa, é na verdade uma música sobre o orgasmo.
A cara do Jeff Buckley.
A gente canta chorando mas de alegria.
A diretora Amy Berg conseguiu autorização da família de Buckley para fazer um filme sobre o artista mesmo com a mnae do cantor achar que seria praticamente impossível um filme alcançar o nível de “graça” de Jeff.
Anos antes Brad Pitt tentou comprar os direitos e estrelarr uma biopic e desistiu mas ficou com a pulga atrás da orelha.
Amy Berg pensou, repensou e resolveu fazer este documentário com todo o arquivo da família e de amigos e ainda chamou Pitt para ser produtor do filme.
Decisão mais que acertada porque é impossível assistir a quantidade de imagens incríveis do maior de todos Jeff Buckley e não se deixar levar por sua grandeza, por seu espírito e por suas músicas que transcendem o pop, como diz um dos produtores do guitarrista no filme.
Ah se todo pop fosse igual a você!
Se todos os maiores sempre disseram em alto e bom som que Buckley era “o maior cantor de sua geração”(Bowie) ou que Gloria fosse o maior disco já lançado (Elton John), não somos nós que vamos discordar de tais afirmações. Até porque não tem como.
Ouvir Buckley é ir até Marte e voltar mais feliz. Disse ali que suas músicas transcendem e nos faz transcender. A simplicidade complexa de suas músicas criou um universo tão particular, tão único que até hoje eu não vi nada parecido.
Se você não conhece Jeff Buckley (que feio 2), assista esse filme e tente entender como nasceu, como viveu e como morreu um gênio. Sopiler alert, Buckley morreu aos 30 anos de idade da forma mais besta de todas, depois de viver uma vida de excessos, altos, baixos e tudo no meio. Ele foi aquele cara que dava trabalho mas compensava no que entregava, que deixava todo mundo de quatro, que surpreendia das melhores formas, que assustava mas fazia por valer.
E o melhor é que o arquivo guardado pela família e usado pela diretora Berg neste filme me deixou, como fã incondicional de Jeff de queixo caído.
Eu assisti It’s Never Over, Jeff Buckley quase ajoelhado. Parava as cenas, voltava, revia, tinha vontade de parar o filme, ouvir de novo o disco pela milionésima vez, voltar ao início do filme e viver nesse moto perpétuo por alguns dias para levar a alma, literalmente, porque é isso que ouvir Buckley faz.
A diretora Berg construiu um documento único, potente, preciso, como há muito eu não via em um filme sobre um pop star. Eu sempre achei que Dig!, o documentário sobre o amor e ódio entre os Dandy Warhols e seus “rivais” The Brian Jonestown Massacre, lançado 20 anos atrás fosse o maior de todos os odumentários sobre o rock, sobre uma banda, sobre artistas de música. (nos próximos dias vou falar de Dig!XX, a nova versão do filme, comemorativa desses 20 anos de lançamento).
It’s Never Over, Jeff Buckley é maior que Dig!, é maior que tudo o que vi até hoje, muito pelo que a diretora Amy Berg fez, como ela construiu a história que conta, como ela editou essa história e como nos apresenta esteticamente mas na verdade It’s Never Over, Jeff Buckley é maior por causa de Jeff Buckley, o maior de todos, o cantor, o autor, o músico, o “personagem”, o homem tão profundo e tão frágil que se apresenta de peito aberto, com o coração na mão, com uma transparência única, própria de um gênio capturado pela delicadeza e pela reverência de uma diretora que não só ama seu “objeto de estudo” mas o idolatra, o reverencia e faz questão de nos mostrar esse amor.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬


Um pensamento sobre “234/2025 IT’S NEVER OVER, JEFF BUCKLEY”