238/2025 THE BRITTO DOC

Não foi surpresa pra mim assistir este The Britto Doc, demorou até para fazerem esse documentário super chapa branca sobre o artista plástico brasileiro vivo “mais conhecido e respeitado do mundo”, o recifense Romero Britto. (por favor, atenção às aspas)

O filme só não fala melhor do Romero Britto porque ele termina.

Se 8, 9, 10 horas o filme tivesse, todo o tmepo teria sido dedicado a tentar convencer o espectador que ele é um gênio das artes e um homem tão bom que ele poderia ganhar tanto o Nobel da Paz quanto um Nobel que nem existe mas que criariam pra premiar o homem das estampas do “paint”.

Romero foca muito na sua história de vida, de ter saído da extrema pobreza e ter atingido o estrelato e a fortuna que conseguiu e esfrega nas nossas caras que isso é pra poucos e que ele é um escolhido dos céus.

Muito tempo atrás eu ficava pensando comigo mesmo: será que eu e mais uma parcela gigante da humanidade está errada e o Romero seria o novo Andy Warhol? Será que os desenhinhos coloridinhos dele são as novas Marilyns ou as novas latas de sopa e a gente o trata com o desprezo que Warhol foi tratado em seu início de carreira.

Eu na verdade sempre achei que não, que ele não chegava aos pés dos Warhols da vida. Mas eu esperei alguém um dia, um super crítico de arte, um super museu bancar o recifense e dizer: o cara é bom, vocês que são preconceituosos.

Tô esperando até hoje.

E este filme é meio que o próprio Romero Britto dizendo isso pra todo mundo: vocês são preconceituosos, eu sou fodão, eu sou amigo de um monte de celebridade, os caras pagam milhões pelos meus quadros e eu banco uns projetos sociais o que faz de mim mais legal ainda.

O filme mostra o império que Britto riou junto de seu sócio, com seu filho sempre por perto e com muita história contada com esses famosos todos.

Quando eu assisto um filme desses, totalmente chapa branca, que só fala bem do “personagem”, eu fico pensando que seria legal ter ali no meio da história alguém com algum tipo de opinião diferente, um crítico falando que ele não é tão bom assim, para que o Britto entrasse e tentasse convencer o crítico ou pelo menos seu público que ele é bom sim, que as críticas que não o entendem.

Ou então eu adoraria ter algum incidente famoso no filme, como o da mulher que quebrou uma escultura dele na frente do fofo ao defender o staff do seu restaurante, mal tratado pelo “artista” quando foi lá comer.

Mas não, o narcisismo desse povo não tolera crítica, não tolera gente que descorda, não tolera “negatividade”, como eles gostam de chamar quem vai contra.

Nada em The Britto Doc, mais um comercial institucional da pessoa jurídica e menos um documentário sobre o artista, nadinha da silva me surpreendeu. Nada é novo, nada é interessante, nada é relevante.

E quanto mais eu vejo ou leio ou fico sabendo sobre o senhor Britto, mais eu tenho certeza que meu questionamento de anos atrás sobre sua relevância era mais um voto de confiança a um brasileiro que deu certo no exterior do que uma possibilidade dele estar certo e o mundo errado.

Ou como diz a minha mãe: errada tá a Bíblia.

NOTA: 🎬

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