Segundo a Wikipedia, “Apofenia é um termo proposto em 1959 por Klaus Conrad para o fenômeno cognitivo de percepção de padrões ou conexões em dados aleatórios”.
Numa explicação pop e rápida, os Apofeníacos do título deste filme são os noiados, os que criam de superstições, teorias da conspiração e outras crenças infundadas.
Este filme começa com os 2 pés no peito.
Um cara recebe um vídeo de sua namorada transando com um amigo dele, sem saber que é um deep fake, produzido de sacanagem por outro amigo bem fdp, que acha que essas brincadeirinhas, essas pegadinhas são engraçadas.
O cara fica tão doido, se sentindo extremamente traído e estraçalha a namorada quando ela chega em casa.
Esse início radical vai meio contra a estética primeira do filme, que mais parece um indie novaiorquino dos anos 1990, com cenas em cafés bacaninhas, em casas moderninhas, com amigos que gostam de tomar vinho em reuniõezinhas e amiga de cabelo azul com namorado bem liberal.
Só que tudo isso é literalmente entrecortado pela violência mais cruel e sanguinolenta do ano.
O gore e o slasher acabam com essa ideia de indiezinho de Festival moderninho e levam Appofeniacs para o Fantastic Fest, o único festival que importa, o dos radicalismos horrorosos e fantásticos, algo que a gente acompanha neste filme que pode ser considerado um neto bastardo do meu preferido Violência Gratuita, o clássico do Michael Haneke, o filme que colocou o controle remoto na mão do vilão quando algo deu errado na história e seu companheiro foi morto.
Aqui não tem tempo voltando, muito pelo contrário, mas a gratuidade da violência é extrema.
O acaso dita a quantidade de sangue que espirra na tela e do tanto de sangue que espirra nas lentes da câmera, algo que eu adoro.
Isso tudo para mostrar os perigos e horrores do fake, de como a manipulação da realidade ee perigosa e do quanto a violência pode vir do nada, de uma brincadeirinha mal explicada, de uma piaa mal contada mas principalmente de uma sacanagem de alguém bem fiadaputa, neste caso o “vilão” deste filme, o cara que adora produzir fake vídeos com um aplicativo bem fácil e eficiente e que detona (acaba?) com a vida de todo mundo que cai no esquema do vilão.
Appofeniacs tem um roteiro que vai crescendo, vai surpreendendo, vai tirando coelhos das cartolas de uma mente bem perturbada e como no filme do Haneke, nada para em pé.
Até porque a quantidade de membros decepados das personagens da história não deixa que ninguém se sustente mesmo.
O que se sustenta é esse filme incrível, melhor surpresa, mais sanguinária, a partir de um roteiro que é quase que uma Quadrilha do Drummond, só que ao invés de “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém” em Appofeniacs é “Duke que matou o amigo e matou a namorada e matou sem querer o outro amigo que matou o outro namorado que tinha matado outra fulana…”, tudo a partir de uma historinha simplesinha cheia de detalhes incríveis que vão se revelando mais interessantes do que a gente poderia imaginar. Nóia, nóia, nóia.
Obra prima da desgraceira.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

