264/2025 LUGER

Eu adoro filmes onde as histórias se passam quase em tempo real, ou pelo menos durante um período curto de tempo. E com certeza é a culpa do Martin Scorsese e seu maravilhoso Depois de Horas.

O espanhol Luger, que tem hoje a estreia mundial aqui no #FantasticFest se passa em menos de 24 horas e a grande e mais increivel parte do filme se passa quase em tempo real.

E o filme tem ainda outro detalhe que me agrada muito: o “personagem principal” muda durante o filme.

Luger é sobre um cara que teve seu carro roubado e pede ajuda a sua advogada bem “picareta” Ângela, que na verdade resolve os problemas de seus clientes de formas nada ortodoxas como neste caso que ela manda Toni e Rafa, seus 2 capatazes, ou melhor, seus 2 “fazem tudo”, para recuperarem o carro do cliente, que seguiu os ladrões e está na frente do galpão onde o esconderam, num underworld bem xinfrim, o que me faz gostar muito mais desse universo.

Depois de muita quebradeira, muita porrada e ossos quebrados, eles saem com o carro que tem 65 mil euros escondidos mas no lugar do dinehiro, eles encontram um cofre capenga e quando conseguem estourar e abrí-lo, encontram a tal Luger do título, uma arma “icônica” da Segunda Guerra Mundial.

E essa ainda tem marcas e uma palavra alemã gravada que dá à arma uma importância maior do que esses toscos imaginavam.

Luger é a estreia na direção do também roteirista Bruno Martín e se seu cinema for nessa direção aposto fácil nos próximos filmes do espanhol.

Contando sobre esse filme, falando que é violento, tem um humor estranho e histórias ótimas que vão abrindo as possibilidades para se desenvolverem no paralelo ao mesmo tempo que vão se entrelaçando você leitor pode até pensar que a influência do Tarantino é forte.

Mas para minha surpresa nem é.

Claro que todo filme de criminosos pés rapados metidos a espertões de hoje em dia tenham ares tarantinescos, as referências de Luger são outras. Esses personagens típicos acabam servindo para a história se desenvolver e não o contrário.

Rafa e Toni são personagens muito facetados, aqueles caras que batem mas também choram, que apanham mas também sabem fazer sofrer. E o pior, ou o melhor, um faz o outro sofrer, chorar, tem até D.R., cobranças e resoluções radicais, o que faz de Luger uma cainha de surpresas quase infinda, daquelas que vocie abre, pula um palhaço mas dentro tem outra menor com outro susto e outra dentro e assim por diante.

Mais uma vez o cinema pop fantástico espanhol arrasando muito no Fantastic Fest, algo que eu sempre espero todo ano, culpa de A Mesa de Centro, Porca e do meu preferido La Espera.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

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