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271/2025 A ÁRVORE DO CONHECIMENTO

Quando eu terminei de assistir A Árvore do Conhecimento, o filme português do #FantasticFest dirigido pelo francês Eugène Green queridinho da Mostra de São Paulo, eu fiquei com um ponto de interrogação gigante flutuante na minha frente, tipo num videogame.

Aos pouquinhos o choque inicial foi passando e outro choque tomou conta do meu ser: que roteiro bizarramente incrível.

A Árvore do Conhecimento é basicamente uma crítica cáustica à invasão de turistas em Portugal.

Pra isso Green criou uma história bizarra de boa.

Um moleque, cansado de viver na pobreza e ter sua criatividade podada pela mãe (com razão), foge de casa e cai no poder de um ogro que transforma turistas em animais para se alimentar.

Mas o menino, como um saltimbanco, consegue fugir das garras do ogro com um cachorro e uma jumenta por quem ele se apaixona (sim, bizarro). E sabe pra onde eles vão parar? No palácio da Dona Maria Louca, sim, aquela rainha portuguesa que a gente adora xoxar.

E lá no palácio o menino, sua jumenta amorosa, seu cachorro companheiro, lembrem-se, eles já foram turistas, todos eles conversam e discutem e filosofam com a rainha, com uma serpente na árvore e com isso a gama de personagens históricos, lendários e criados pela mente fértil de Green transforma uma historinha politizada num quase épico fantástico e surreal.

Se o filme fosse menos auto referente, menos carregado de culpa, como todo cinema português recente, generalizando um pouco, A Árvore do Conhecimento iria mais longe mas para o espectador brasileiro é lindo demais ver a Maria Louca detonando o Marquês de Pombal o tempo inteiro, diferente das formas polidas de crítica que apredemos na escola, mas aqui sendo diretas e retas.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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