Está disponível no canal BOOH!, através da Prime Video, o candidato do Camdoja ao Oscar de Filme Internacional de 2026.
O legal desta notícia é que Edifício Maldito é um filme de horror. E bem bom, diga-se de passagem. Ou nem tão de passagem assim já que vou falar do filme por aqui.
O Edifício Maldito do título fica no Camboja e mais parece um prédio abandonado e caindo aos pedaços do centrão trash de São Paulo, mas o filme começa no Japão onde a criadora de mangá cambojana Soriya está em uma crise criativa e resolve voltar para sua cidade natal com a companhia do namorado japonês Daichi, um fotógrafo sempre atrás do próximo clique que lhe renderá uma história boa.
Ao chegar no aeroporto ele já percebe que algo vai mal quando o taxista fica com medo ao saber que eles estão indo para o malfadado edifício, ao que Soriya diz que sua família mora lá, que ela mesma já morou lá. O taxista continua com medo e pergunta se eles sabem de todas as histórias horrorosas que, dizem as lendas, já aconteceram no prédio.
O casal chega lá, se instala em um apartamento vazio baratíssimo, já que o prédio parece uma pocilga, mesmo com a tia amada da artista morando lá e tudo mais. Aos poucos eles vão andando pelo prédio, onde luzes piscam, portas batem, crianças somem e outras aparecem mas não, tudo vai bem para Soriya, já que ela morou lá e tudo teria uma explicação de correntes de vento, mesmo estando um calor do inferno sem um ventinho para refrescar.
Daichi resolve passar uns dias fora pra conhecer o resto da região mas Soriya diz que vai ficar para tentar desenhar e focar no seu próximo mangá, já que para isso que ela resolveu viajar.
Mas sozinha, triste, desidratada ela vira presa fácil para o que parece ser um culto muito do mal desgraçado de pessoas que moram no prédio.
E se você pensou em O Bebê de Rosemary, pensou certo, porque a vibe da tia, da priminha e de quem mais ela encontra pelos corredores é um tanto sorridente bizarra demais. E de novo, não me canso de repetir, o prédio caindo aos pedaços, parecendo um cortiço gigante, é a locação perfeita para um culto desgraçado viver no Camboja, já que as velhinhas fofinhas de Nova York do prédio do apartamento 7A da Rosemary seriam uma versão higienizada dessa lenda cambojana que além do mais nos mostra rituais bem malucões, nada do que vimos no filme do Polanski, muito pelo contrário.
O que mais me deixou com raiva (no melhor sentido) deste filme foi achar que o horror da história fosse sutil demais, já que as coisas acontecem meio que em conta gotas, por puro sadismo da dupla de direção Inrasothythep Neth e Sokyou Chea porque quando resolvem abrir a torneira, o jato d’água vem para nos atirar longe, como um jato de mangueira de bombeiro descontrolado, numa metáfora bizarra do horror que está por vir.
E tem mais e sem spoiler: o final deste filme é um dos melhores do ano. Inteligente, perspicaz, como que um presente a quem prestou atenção aos detalhes de Edifício Maldito e que já quer mais historinhas fofas como esta do prédio mais desgraçado do Camboja.
Infelizmente este filme não tem a menor chance no Oscar, mas é de uma ousadia linda o Camboja indicar um horror desses.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬


Um pensamento sobre “273/2025 EDIFÍCIO MALDITO”