Mal acabou o Fantastic Fest e já começou o Screamfest Los Angeles e aqui estou cheio de filmes novinhos pra assistir.
E comecei com o pé direito.
Dead By Dawn é um giallo polonês. Então é um żółty.
Obrigado, piada estúpida mas necessária. Tu dum.
Giallo é o horror italiano da década de 1970, super estiloso, super cruel, super sanguinário, com histórias muito psicológicas e aterrorizantes. Como todos sabemos e amamos.
E giallo é amarelo em italiano, por isso traduzi para o polonês żółty.
O diretor Dawid Torrone diz que nunca estudou cinema mas sempre quis fazer um giallo e olha, o cara fez muito bem feito.
Cheio de referências, como deveria ser, com um pé na contemporaneidade, como também deveria ser. Inclusive eu vou começar a chamar essa leva de filmes que bebem na fonte italiana como neo giallos, com o diretor inglês Peter Strickland sendo o maior representante com seus filmes cheios de bruxas e doideiras muito bem fotografadas.
O filme de Torrone já começa com os 2 pés nos nossos peitos cinéfilos. Em um encontro esotérico dos infernos, em um teatro super famoso, um padre/filósofo/exorcista em sua cadeira de rodas é enforcado no palco do evento assim que todos saem para tomar café, para uma figura que me lembrou muito o Fantasma da Ópera, mas no meu caso, O Fantasma do Paraíso do Brian de Palma.
Muitos anos depois, 3 décadas, para ser mais exato, um grupo de teatro chega ao mesmo teatro, que agora é cheio de lendas amaldiçoadas, para ensaiar uma peça malucona, contratados pelo dono do prédio, que vem da família que o construiu 5 séculos atrás, como fazem esses tipos de coisas na Europa.
O detalhe é que eles entram no teatro na véspera de Natal, em emio a uma tempestade que acaba com a energia do local dando pano pra manga do diretor de fotografia do filme brincar lindamente com a luz e as sombras, principalmente as sombras do que vemos no filme.
Sustos, pulos, surpresas, de novo muitas sombras são jogadas nas nossas caras começando um jogo de gato e rato que meio que explica o título do filme Morte até o Amanhecer.
O neo giallo Torrone, como se deve, não se fia somente nas referências dos italianos mas também trás para seu filme ideias “satanistas” (sempre repetidas no roteiro) que funcionam muito bem trazendo a ideia toda para os dias atuais.
O tempo todo que falei em “como se deve” foi de forma muito elogiosa porque Dawid Torrone não apenas ama o giallo, ele reverencia aquele sub gênero do horror e o renova sem cair na mesmice ou na previsibilidade.
P.S.: queria indicar o filme brasileiro Paixão e Sombras, de 1977, dirigido pelo grande Walter Hugo Khouri e estrelado pela musa Lilian Lemmertz, que se passa em corredores e bastidores e tem um pezinho no giallo que rolava em tempo real à época.
P.S. 2: vi no imdb que este Dead By Dawn tem um título brasileiro, Ensaio Mortal, o que é ótimo.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

