Finalmente uma obra de um diretor inteligente e ousado o suficiente, o alemão Andres Veiel, que trata a diretora nazista Leni Riefenstahl e a coloca em seu devido lugar na história e não só na história do cinema.
Muito se fala sobre Leni Riefenstahl, a atriz alemã que “de repente” virou a diretora preferida de Hitler e sua turma podre.
Aqui no filme ela diz “era impossível eu dizer não ao convite de filmar as Olimpíadas alemãs, mais de 30 câmeras à minha disposição, toda a equipe técnica que eu quisesse”. Gata, você estava trabalhando com nazistas, com o cara que inventou o nazismo, com o maior lixo da humanidade e você diz que não teve como dizer não?
Por anos, décadas, Leni Riefenstahl foi considerada uma grande diretora, uma grande esteta e seu passado nazista, pelo menos na comunidade cinematográfica, foi meio que relegada. Todo mundo fala do Polanski, do Woody Allen mas ninguém falava da Leni, a diretora nazista de O Triunfo da Vontade, a mulher que propagandeou Hitler e sua estética supremacista.
Neste documentário incrível nós vemos o quanto aLeni fez de tudo desde sempre para que sua vida tivesse esse viés de antes e depois da Segunda Guerra Mundial. Aqui nós vemos muitas e muitas entrevistas onde Riefenstahl é questionada sobre sua presença e participação ativa nos anos nazistas na Alemanha enquanto ela o tempo todo tenta se esquivar, pede para não falar sobre isso e quando o entrevistador não concorda, ela se levanta e deixa o programa sem pudor.
Vou me corrigir: em alguns momentos Leni tenta se esquivar de sua participação e as poucas vezes que isso acontece, ela é corrigida pelos apresentadores quando, por exemplo, ela diz que começou sua relaçnao com Hitler em 1932 e que o termo nazismo ainda não era usado e o apresentador diz que sim, que a partir de 1932 eles já se chamavam nazistas.
Ou quando ela tenta diminuir sua relação com Goebbels, o Ministro da Propaganda Nazista ao que ela é corrigida dizendo que existem mais de 10 anotações de encontros dela com o Ministro nos diários oficiais. O que ela faz: passa mal, pede pra parar, diz que a pressão caiu, atos que temos visto recentemente de políticos de extrema direita sempre passando mal pra fugirerm de julgamentos e depoimentos, tática conhecidíssima.
Este documentário Riefenstahl coloca de vez a nazista em seu lugar.
Essa mulher é uma das maiores canceladas da história, mesmo que, na minha opinião, um esquema de propaganda gigante fez de tudo para que ela se mantivesse por décadas relevante e até um referência de cinema.
Não é. Leni Riefenstahl foi uma nazista, viveu como nazista até o final de sua vida, nunca negou quem foi e quem ainda era. Ela diz no filme que não pode falar o que pensa porque senão vão chamá-la de neo-nazi e ela não queria ser conhecida como neo-nazi.
A cara de pau de Leni era tamanha que ela foi para a África onde viveu por mais de 2 meses em uma tribo onde fotografou o povo, voltou, lançou um livro com suas fotos e quando questionada sobre sua obra focar de novo na estética, como fez com os nazistas em seu filme Olympia, que foi uma gigante propaganda da superioridade “ariana”, Leni disse que não era nazista senão não teria ido para a África, o mesmo discursinho “eu gosto de preto, tenho até uns amigos que são”.
No final das contas o #alertafilmão deste documentário Riefenstahl é uma aula de como lidar com gente podre, mesmo que talentosa, porque veja bem, em nenhum momento eu desmereci a arte de Leni, os filmes dela. Nem eu nem o diretor Veiel. A questão toda é dar nome aos bois, ou no caso dar nome aos bois, chamar as pessoas e seus atos pelos nomes que devem ser chamados. E mostrar o quanto esse tipo de gente é dissimulada, falsa, o quanto é (pseudo) esperta tentando enganar todo mundo o tempo todo. Mas a gente bem sabe que isso não é possível.
E poucas coisas são mais satisfatórias na vida do que desmascarar nazi-fascista.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

