Quem diria que em meio ao #ScreamfestLA eu iria assistir um dos filmes de horror que já entrou na lista dos meus preferidos do ano.
Meat Kills é um filme holandês que me deixou enojado, enjoado, chocado e o melhor de tudo, sem ter certeza de quem seja o vilão do filme.
Apesar de saber quem é um dos meus heróis/personagens preferidos de 2025.
O filme apareceu numa hora certinha já que semana passada durante um grupo de estudos do meu mestrado, depois de assistir um documentário super politicão brasileiro, eu falava o quanto o discurso dos extremos é parecido.
No documentário é sobre um grupo de artistas da extrema esquerda engajada se portar exatamente como um grupo de pastores direitistas que pregavam na Praça da Sé em São Paulo. Nenhum dos grupos queria discutir, ambos queriam apontar o dedo para o outro lado, vociferando e regurgitando discursos pré criados sobre seus antagonistas e ao final, ambos os lados, xingando quem deles discorda.
Quase como se uma moeda tivesse 2 caras ao invés de uma cara e uma coroa, só que uma das caras usava batom e a outra uma Bíblia na mão.
Aqui em Meat Kills (Vleesdag em holandês, que quer dizer Dia da Carne) a história começa quando Mirthe é despedida da fazenda de criação e abate de porcos que trabalha é pega gravando em seu celular como isso é feito, o que é extremamente proibido.
Ela sai feliz porque conseguiu material radical o suficiente, ela acha, para se juntar a um grupo de ativistas veganos bem extremos que ao invés de entregarem os vídeos às autoridades, resolvem invadir a fazenda para soltar os porcos e fazer os donos do lugar pagarem pela crueldade.
O filme é meio que uma história de home invasion com discurso político (mas sempre é, né?) extremo.
O grupo chega armado, mascarado e pronto para fazer a família sofrer, começando ao colocar uma etiqueta de plástico de porco na orelha de um dos filhos, bem cruéis mesmo.
Mas claro que a gente sabe que eles estão só começando e que se começa assim, vem porrada pela frente.
Os extremistas veganos que chegam chegando, com os 2 pés na porta, mandando e desmandando, punindo os vilões matadores de porcos, logo são, que dizer, não tão logo assim mas depois de fazerem um povo sofrer, são confrontados pelo pai, que estava fora e chega mais chegando ainda tomando conta da narrativa cruel e desenfreada.
O interessante do roteiro do filme do diretor Martijn Smits foi passar a tratar com o mesmo peso ambos os grupos extremistas, colocando os veganos e os fazendeiros com o mesmo peso na balança, deixando o espectador confuso sobre por quem torcer, sobre saber quem é vilão e quem é mocinho e pior, sobre se perguntar se os fins justificam os meios em um filme onde “os meios” são violentos, sanguinários, cruéis e… merecidos.
A gente diz brincando que “um dia é da caça e outro da pesca” mas em Meat Kills, o dia é da carne (vleesdag), só não se sabe a carne de quem.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

