Na “luta inglória” (que drama!) para encontrar o melhor filme tentando uma indicação ao Oscar 2026 de Melhor Filme Internacional me deparo com esta pérola.
The Last Dance é o indicado de Hong Kong ao prêmio e o choque que eu tive ao terminar de assistir este drama foi inversamente proporcional a minha expectativa: não esperava nada e agora amo com força o diretor e roteirista Anselm Chan.
O título do filme, “a última dança” é explicado logo de cara, quando vemos um sacerdote taoísta realizar tal dança para abrir as portas do inferno durante um funeral para que a pessoa falecida passe por lá e consiga sair ilesa para a vida após a morte.
As histórias do filme sempre giram em torno da morte, onde Dominic, um ex-planejador de casamento, com o declínio de sua profissão, acaba sócio de uma funerária e usa muito os préstimos do sacerdote taoísta Master Man, um homem mal humorado, bem estrito e bem leal a tradições, diferentemente de Dominic que está chegando agora a esse mundo, não sabe nada das tradições, vai aprendendo com seus erros e com sua experiência prévia.
Como ele mesmo diz no filme, um casamento não é totalmente diferente de um funeral, já que de uma forma ou de outra ambos reúnem famílias em torno de pessoas importantes, ou o casal ou o falecido, para homenageá-los.
À medida que Dominic vai entrando mais na vida de Master Man, vamos conhecendo sua família: a filha que sempre foi relegado a segundo plano por ser mulher, mesmo sendo a pessoa que mantém a família “no lugar”; o filho que segue os passos do pai como sacerdote mas que não sofre ao “virar” católico para conseguir uma escola melhor para o filho; a cunhada que não ajuda e muito atrapalha; mas que nos interessa mesmo é o Mestre, o homem sábio e preconceituoso que ao se apoiar em suas crenças e tradições deixa de lado quem deveria admirar, seja a filha trabalhadora e bem sucedida ou o novo sócio que nnao sabe nada do trabalho mas que aos poucos vai se mostrando um ótimo empresário, cheio de ideias novas.
Tudo isso com a morte sempre rondando, seja na casa funerária, seja na casa do Mestre Man onde a figura da sua esposa falecida é sempre relembrada, seja no dia a dia dessas pessoas todas em suas vidas mais íntimas onde as pequenas mortes, as boas e as ruins estão sempre presentes e são muito relevantes à história como um todo.
Eu não imaginei que um filme, em princípio sem muito sucesso pelos Festivais mundo a fora fosse me deixar tão impressionado e entretido quanto The Last Dance deixou.
Cada vez mais eu falo aqui sobre o quanto a tradição tem sido mutio importante para mim ao assistir filmes do jeito que eu assisto, de forma quase compulsiva. The Last Dance é o filme que em seu roteiro inventivo e original lida com a relação da tradição com o “moderno”e isso me dá um quentinho no coração e no cérebro que me faz só desejar que mais filmes como este apareçam para eu assistir e resenhar por aqui.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

