Sempre que eu assisto um filme ou uma série que a personagem principal passa por situações muito sérias, traumatizastes, geralmente violentas, eu peso: o que será que acontece com essa pessoa daqui pra frente?
Você também é assim?
De se preocupar com suas personagens preferidas? Ou as vezes nem preferidas, mas personagens que te marcam de alguma forma, boa ou ruim.
O Telefone Preto 2 é a sequência de O Telefone Preto, um filme de horror de 2022 bem violento física e psicologicamente, onde um dos piores vilões da história do cinema rapta meninos adolescentes e os prendem em um porão onde existe um telefone preto na parede (com uma surpresinha) por onde eles recebem umas ligações bem estranhas, enquanto o vilão não faz o que vilões desgraçados fazem.
Apesar do final incrível e posso até dizer diferente, inesperado, um dos adolescentes do filme, ou o principal deles, sobrevive e ao terminar o filme, antes mesmo de eu pensar se gostei ou não, eu pensei: e agora?
O que vai ser da vida desse moleque depois dele ter passado por toda essa desgraceiras que passou.
Coitado dele.
Telefone Preto 2 se passa 4 anos depois do primeiro filme, ainda baseado na história escrita por Joe Hill, filho de ninguém menos que Stephen King, onde nós vemos o que aconteceu com Finney (vivido pelo mesmo Mason Thames do primeiro filme), agora crescido, mas ainda adolescente, só que, obviamente, totalmente desajustado, zoado mesmo.
O moleque que era o quietinho da escola, que apanhava dos valentões, agora é o menino que bate nos mais novos, que fuma o tempo inteiro, que não suporta que olhem pra ele, o típico caso de stress pós traumático extremo, na minha opinião.
Depois de assistir esse filme, eu fui ler minha resenha de quase 4 anos atrás e lá terminei assim “Só espero que não se animem e me venham com um sequência sem vergonha qualquer.”
Bom, acho que o diretor Scott Derrickson, que é bom demais, leu o que eu escrevi e veio com a sequência mas com o foco no sobrenatural, nos “fantasmas”, nos sonhos de Gwen, a irmã de Finney que “puxou” da mãe o poder de enxergar o futuro através dos sonhos.
E é através de Gwen que o vilão do primeiro, o Grabber, o Sequestrador (Ethan Hawke mais uma vez mostrando que se lhe derem uma lista telefônica, ele recita como se fosse Shakespeare) volta a assombrar os vivos e a conseguir forca e poder através dos mortos.
O telefone preto do primeiro filme ainda está aqui, só que não mais no porão, quer dizer, ainda no porão mas também na rua, na beira de um lago e onde mais for necessário, já que esse telefone preto desconectado acaba sendo o canal de comunicação não só com os mortos mas também com o passado (e com o futuro?).
Finney e Gwen, ainda super traumatizados pelo suicídio da mãe, descobrem que ela trabalhou como monitora de um acampamento para jovens e para lá eles vão tentar entender quem mais estava lá e quem são os fantasmas que ficam aparecendo para a irmã mais nova e tentando puxá-la para o mundo dos (pós) mortos.
No acampamento, no meio de uma tempestade de neve, eles descobrem mais do que esperavam e a desgraceira do primeiro filme, que era focada a um ambiente fechado, com o vilão sendo o mais cruel e psicologicamente violento possível, até que se tornasse fisicamente violento, nada disso se compara ao que assistimos neste segundo filme.
Tudo tem um sentido de vingança, de culpa, de querer mostrar quem é mais inteligente ou esperto ou poderoso e quem deve se curvar a tal poder.
Os novos personagens do filme existem apenas para provar que o foco está nos irmãos e no vilão (literalmente) dos infernos e que à medida que a história vai se desenrolando e que tudo o que a gente não compreendeu direito no primeiro filme agora não só faz sentido como conta uma nova história mais interessante ainda.
Telefone Preto 2 se passa em 1982 e muitas referências do filme são lindas como tocar Pink Floyd no walkman de Finney quando ele está indo pra “guerra”, ainda mais terem escolhido Another Brick In The Wall part 3 que é uma música de guerra mesmo, bem violenta e também uma referência boa aos filmes do Freddy Kruger que funcionam perfeitamente neste novo capítulo.
E não poderia deixar de falar nas “experimentações” que o diretor Derrickson esbanjou neste filme, já que deve ter ganho um poder dos bons depois do sucesso do primeiro.
A pergunta que fica é: o que virá em Telefone Preto 3? Espero, de novo, que não estraguem o que chegou a um nível lindo demais.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

