Imagens de câmeras policiais revelam como uma antiga briga de vizinhos acabou em morte nesta obra sobre medo, preconceito e a lei de legítima defesa nos EUA.
2025 está se mostrando um dos melhores anos recentes para o documentário, com filmes dos países mais diversos, com experimentações quase radicais que se vem se mostrando muito efetivas.
A Vizinha Perfeita é mais um documentário bem radical na forma e que conta uma história muito violenta.
O filme foi criado a partir de imagens das câmeras corporais dos policiais que ficam quase que diariamente atendendo a chamados em uma rua específica por causa de brigas intermináveis entre vizinhos.
Lá naquela rua mora sozinha a tal vizinha “perfeita” do título (perfeita pra encherem o saco dela).
O tempo todo, o dia inteiro, as crianças ficam jogando bola em tudo quanto é lugar, inclusive no seu gramado, no seu quintal, chutando a bola em sua parte, largando brinquedos em praticamente dentro de sua casa e a desrespeitando sempre que a encontram.
Não só as crianças mas também suas mães e seus pais tem muitas restrições e críticas à vizinha. Ninguém a suporta e ninguém se conforma que ela fica reclamando o tempo inteiro, que ela fica pedindo paz, que ela só não quer que as crianças a xinguem e que fiquem a incomodando em sua casa.
Parece que eu etou defendendo a mulher?
Por um lado eu estou, já que ela não joga bola na casa de ninguém, não xinga ninguém (ou quase), nnao incomoda nenhum vizinho e é incomodada o tempo inteiro.
Como diz um policial que aparece no filme em um momento que ele foi atender um chamado da mulher, quando ele era pequeno ele fazia as mesmas coisas, criança não é cuidadosa e quando vê uma oportunidade para encher o saco, a molecada pega essa oportunidade e não larga mais. Eu mesmo já fui assim, quando era moleque tive muita treta com vizinhas insuportáveis, tadinhas delas e tadinho de mim.
Na minha época, para minha sorte, eu nunca tive uma vizinha “perfeita”, apesar de uma em específico, dona Elvira, sempre furar as bolas que caíam em seu quintal e deixá-las na porta da sua casa.
No caso do filme, a mulher perdeu a paciência total e em um momento de filhadaputice, enquanto a mãe de umas crianças batia em sua porta para conversar, ela deu alguns tiros de dentro de casa em direçnao à porta matando, agora sim, a vizinha perfeita.
A decisnao radical e genial de contar a história exclusivamente através de vídeos gravados pelas câmeras corporais dos policiais que atendiam as reclamações da vizinhança faz do filme um exercício de violência extrema, porque se toda a história existe nesse universo policial, a história é mesmo muito violenta, muito radical até, de ambos os lados.
E mais, é uma história que borrou o entendimento de quem é vilão e quem é vítima, de quem é a vizinha perfeita, que sofre, que é xingada ou se a vizinha perfeita é a mãe das crianças que só quer que a outra entenda que elas são crianças e acaba morta por isso.
Mais um vez estamos diante de um documentário onde, por mais que eu tenha tentado evitar qualquer tipo de julgamento, por mais que eu tenha tentado entender a mecânica das relações quase burocráticas daquela rua de casinhas, não tem como ficar com raiva da passividade de uma ou da vitimização de outra. E vice versa.
A primeira conclusão da história pra mim é que a culpa é sim da liberdade do porte de armas nos EUA. Não tem jeito. A mulher tinha 2 armas em casa. Ela chegou a um ponto de não aguentar mais, tadinha, eu pensei. Mas durante a investigação pós crime, a gente vai descobrindo coisas que a fazem menos vítima coitadinha e mais uma pérfida fria a calculista, esperando a hora para dar o bote.
Sim, #alertafilmão imperdível da Netflix.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬


Um pensamento sobre “300/2025 A VIZINHA PERFEITA”