Em 2022 eu fui absolutamente detonado por ter dito que Nada de Novo no Front era só um filminho de guerra aleatório.
Todos nós sabemos que o filme ganhou o Oscar, o diretor Edward Berger virou o queridinho de Hollywood, acertou em Conclave e todo mundo se perguntou: o que vem a seguir?
Bem, amigos do Já Viu?, sinto informá-los que minha primeira impressão não só ficou mas se repetiu: o alemão Berger é um diretor bem normalzão e seu novo filme, Balada de um Jogador é uma porcaria sem tamanho.
Sabe aquela piada “o que é um pontinho amarelo no meio do oceano?”.
Balada de um Jogador parece um pontinho no meio de um oceano cinematográfico.
O filme é tão vazio (estética e filosoficamente) que por um momento eu achei que tudo aquilo seria um pesadelo do Lord Doyle, o personagem do Colin Farrell, um jogador viciado, compulsivo, que fica transpirando o tempo inteiro e que se fosse mesmo um pesadelo, um delírio de febre, seria lindo.
Mas não é.
O tal do Lord Doyle está em Macau, em um hotel-cassino gigante, cafona e luxuoso, tudo ao mesmo tempo.
Lá ele joga, bebe champagne, joga mais, fuma charutos, não para de jogar, come feito um desesperado e só pensa em jogar de novo, porque apesar disso tudo, ou por causa disso tudo, ele deve muito dinheiro a muita gente e precisa jogar mais para pagar o que deve só que enquanto joga, não para para ganhar mais, acaba perdendo tudo, como todo bom jogador viciado e noiado.
O filme é sobre esse cara, sobre como ele está atrás de dinheiro, sobre como ele não tem saúde física e nem mental e como ele vive em uma das capitais mundiais do jogo, não há como ele superar isso tudo.
Não que ele queira mesmo.
Só que ele tem que lidar com o gerente do hotel onde mora que cobra dívidas vultuosas.
Tem que lidar com uma Tilda Swinton, mais uma vez vestida igual uma idiota (até quando?), uma investigadora inglesa que o procura pelo mundo para pagar uma dívida no Reino Unido.
Tem que lidar com todo mundo o chamando para jogar.
E ao mesmo tempo que se interessa por uma crupiê que lhe oferece ajuda para ele se curar, ele pede ajuda para roubar no jogo.
Ah, colocaram na história sem graça até um pezinho no além, dizendo que o jogador tem um “encosto”, um fantasma que o “ajuda”.
Atiraram pra tudo quanto é lado e erraram na mosca. Ou em várias moscas, em tudo quanto é lado.
Voltando ao pontinho no meio do oceano, pra piorar tudo, todos os cenários do filme são gigantescos, filmados com grande angular para parecerem maiores ainda, cheios de nada, de vazios, de espaços a serem preenchidos, uma decisão estética que não convence, dá a impressão de que gastaram dinheiro em cenário e não tinham para figuração.
Nunca vi um cassino tão vazio e tão deprimente no cinema.
E se Berger queria que seu personagem se sentisse sozinho, abandonado, como um pontinho no meio do oceano, deveria ter sido mais sutil. Fora a quantidade de suor do Colin doente, que coisa chata.
Tudo me incomodou, até a tentativa de Edward Berger ser Edgard Wright, o diretor inglês moderninho, coloridinho, cheio de cortes e brincadeiras de câmera em filmes pop e engraçadões, o que não é o caso do Berger e muito menos deste Balada de Um Jogador e seu discursinho quase pretensioso que não funciona como deveria, longe disso.
NOTA: 🎬🎬🎬

