A História do Som é um dos filmes mais comentados do ano e acaba de estrear no Mubi, depois de passar por Cannes e pela Mostra SP.
O novo filme do diretor Oliver Hermanus (do meu preferido Moffie) é lindo, poético, romântico mas… o gostinho de “homenagem” a O Segredo de Brokeback Mountain não sai da boca.
O filme conta a história de amor de 2 homens, Lionel e David, que se conhecem cantando, em 1917, e se unem pelo amor às músicas desconhecidas e depois pelo amor um pelo outro.
A história deles é contada da forma mais poética e fofa possível.
O encontro, a paixão, a separação pela guerra, a separação pelo sinal daqueles tempos, os reencontros casuais, as histórias que foram criadas pelo amor à música ou, como diz o título do filme, pelo amor ao som.
David é um estudioso do som, um pesquisador de músicas que estão prestes a sumir e ele convida Lionel, o cantor também amante do som, a viajarem juntos pelo interior dos EUA gravando esses sons, esses artistas com suas músicas e suas histórias e a partir daí, com a “desculpa” desse projeto, David consegue passar alguns meses com o amor de sua vida.
A História do Som tem um roteiro lindo, muito bem construído a partir de muitos detalhes que em princípio parecem ser aleatórios mas que vão nos mostrando particularidades dos personagens e das ações e reações que fazem toda a diferença.
A história de amor de 2 homens em tempos que isso era não só “imoral” mas também ilegal ee sempre um prato cheio para o cinema e aqui não foi diferente. E eu até diria que foi meio igual a um monte do que já vimos, claro que com a mão precisa e muito ded(l)icada do direto Hermanus que fez, por exemplo, um sex symbol como Paul Mescal, mesmo cheio de cenas sem camisa, ser “SÓ” o grande ator que é, um dos grandes de sua geração, tendo um filme como esse a seus pés, em suas mãos, para ir do 0 ao 100 sempre que pode.
Mas não fica para trás o outro (sempre) ótimo Josh O’Connor, nosso David, o estudioso que se apaixona pelo cantor caipira e o leva para o mundo dos sons e das possibilidades que levarão Lionel a histórias que ele nunca imaginou viver.
O David de O’Connor tem a sabedoria usada como máscara para segredos que Lionel tenta desvendar e até os cobra, como na cena que diz o clássico “você sabe tudo de mim e não me conta nada de você”. E esses segredos (de Brockeback Mountain de novo?) são fundamentais para criar tensão no roteiro, para criar drama e drama é o que não falta neste filme.
O foco de A História do Som, a gente descobre desde o início, está em Lionel, o menino de ouvido absoluto, que aprendeu com o pai a amar o som, que peita a mãe quando diz que vai para o mundo e ela reclama que não pode ficar sozinha.
O menino que vira homem e toma suas decisões em Roma, em Londres, onde tem que decidir. Mas o homem que não deixa nunca de ser o menino que ama música, que ama… David, que não responde suas cartas, o que faz que Lionel tome decisões drásticas mas necessárias.
Em A História do Som a gente (re)aprende que as decisões necessárias acabam sendo, por bem ou por mal, drásticas para alguém. E que essas ações que parecem ser egoístas, e que geralmente são, também são necessárias para resolver a vida, resolver o futuro, resolver o passado.
Tudo isso está no filme, na história de amor eterno, aquele que não acaba apesar de todos os pesares, o tempo sendo o maior e pior desses pesares.
A História do Som, como o próprio som, acaba sendo fugaz, sumindo rápido e sorte de quem o ouviu, principalmente em tempos de amores e relacionamentos líquidos.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

