Já está acontecendo a nova edição do Festival de Cinema Italiano no Brasil.
E eu comecei com um filme bem interessante, uma co-produçãoo Itália/Alemanha, dirigida pelo bem competente Silvio Soldini sobre uma história desconhecida até poucos anos atrás.
Durante a Segunda Guerra Mundial, quando Hitler vivia no meio do mato em um bunker, sempre com medo, sempre noiado, ele mandou que sua SS gentilmente convidasse, mentira, mandou pegar mesmo, algumas mulheres de um povoado perto do bunker para serem as provadoras de sua comida.
Sim, em um nazismo “macho”, o lixo dos lixos convocou violentamente mulheres para morrerem, já que eram dispensáveis.
E a gente vie essa história através da vida de uma delas, Rosa, uma jovem que acabou de chegar ao povoado já que seu marido foi para a guerra na Rússia e ela foi morar com os sogros, deixando Berlim para trás.
O filme se passa mais na casa onde eram preparadas todas as refeições do bigodinho.
As mulheres chegavam lá para provarem o café da manhã, sofrendo antes de experimentarem os quitutes e ficavam todos os dias até provarem o jantar.
Tudo realizado de forma bem específica, onde os pratos eram divididos entre as cobaias com o detalhe de que nenhuma podia provar os pratos das outras.
Se não gostasse do que tiha que provar, a mulher teria que se virar e engolir o que estivesse a sua frente.
E elas não podiam ir ao banheiro nem ficar sozinha até que a comida “descesse” ou até que o possível veneno fizesse efeito.
Aos poucos as mulheres foram se aproximando umas das outras, já que passavam os dias juntas e já que só uma delas tinha filhos para cuidar. As outras ou eram viúvas ou tinham os maridos lutando no fronte.
A tensão, que poderia ser melhor “criada” no filme, existe. E o interessante é que as mulheres acabam esquecendo o motivo de estarem lá, onde suas vidas em princípio existem até a próxima refeição.
O que é um paradoxo porque no momento que o filme se passa, os alemães estão sendo derrocados, a comida cada vez mais escassa e essas mulheres comem do bom e do melhor, tomam as melhores bebidas mas sabe-se lá até quando. Só imagino viver essa vida de ansiedade, tensão e sensação de que o maior tempo de tranquilidade é quando elas vão para casa depois do jantar, dormir, antes de voltarem a seus cadafalsos gastronômicos no outro dia.
Soldini quase acerta. Poderia ter tratado esse drama mais como thriller, o que o elevaria a outro nível.
Ele até faz um meneio a essa outra possibilidade ao colocar na história um romance de Rosa com um oficial nazista (vivido pelo meu alemão preferido, o muso Max Riemelt) mas não foi suficiente.
Como disse, essa história era totalmente desconhecida até que em 2012 foi revelada por Margot Wolk, uma mulher de 95 anos de idade que disse ser a eunica sobrevivente da turma de provadoras.
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NOTA: 🎬🎬🎬1/2

