312/2025 FRANKENSTEIN

Desde quando o mexicano Guillermo del Toro não faz um filme muito bom?

Na minha opinião, desde 2006 com O Labirinto do Fauno, uma das fantasias mais lindas da história que se passa na Espanha durrante a guerra quando uma menina, filha de um oficial do exército, encontra e foge para um mundo de sonhos, bons e ruins.

Com A Forma da Água de 2017, mesmo vencendo o Oscar e minha empolgação inicial, não acho que o filme seja aquilo tudo. Reli agora minha resenha e engraçado, as minhas críticas são muito fortes e mesmo assim eu dei 4 claquetes de nota, mas não, o filme é só uma boniteza hollywoodiana e nada mais.

Aliás, pode ser impressão minha, mas os filmes bons do del Toro são os falados em espanhol.

E sinto informar mas Frankenstein não é falado em espanhol.

O novo filme do mexicano Guillermo del Toro, um petardo de mais de 120 milhões de dólares, é um quase gigantesco.

É quase bom, é quase bem dirigido, é quase original e também é quase o Frankenstein da Mary Shelley.

O filme deveria se chamar “Frankenstein do del Toro”, como se chama o “Drácula do Coppola”, por exemplo, pra gente saber que o filme é uma leitura bem particular da história original.

Apesar de amar o personagem do Drácula, um dos meus livros top 10 da vida é o Frankenstein da Mary Shelley. Acho o capítulo 10 do livro uma das coisas mais bem escritas de todos os tempos com um dos melhores bastidores de todos os tempos também, onde a jovem Mary de 18 anos de idade escreveu a história do “Prometeu moderno” em um final de semana de brincadeiras psicodélicas, para ser educado, numa mansão num lago suíço do Lord Byron, um escritor “meio bandido” inglês, amigo do marido de Mary, de onde também saiu uma primeira história do vampiro, que daria origem ao drácula de Bram Stocker que a gente tanto ama.

Voltando ao mexicano, del Toro conseguiu tanto, mas tanto dinheiro que o filme tem cenário gigantesco de corredor de um castelo que é usado em uma única cena do filme.

Isso foi só um exemplo do dinheiro que ele tinha em mãos, dinheiro que foi muito bem gasto, que a gente enxerga na tela. Tenho certeza que devem ter no máximo uns 2 cenários criados em pós produção, filmados em tela verde, porque o roteiro faz menções o tempo inteiro não só aos cenários mas a tudo o que envolve os personagens do filme, o que é lindo demais.

Tudo muito gótico, tudo muito grandioso, tudo funcional (para a época), tudo muito pertinente a história de criador, criatura, pai, filho, futuro, passado que Guillermo transformou o original do monstro que só queria ser amado por seu criador e ter uma companheira.

O problemão, sim, no aumentativo, é que a “magia” de del Toro para mim sempre foi a sua genialidade em nos transportar a mundos inimagináveis, saídos de uma mente lindamente fantasiosa e principalmente originais.

Todo mundo na via láctea conhece a história de Frankenstein e o mexicano deve ter pensado que ele precisaria ou deveria reescrever tudo e dar seu toque ao original. Só que neste caso, seu toque foi longe demais e não profundo o suficiente.

A história de Victor Frankenstein criança é chata. Fora os caixões de seus pais, que precisam ser expostos em museus, é tudo extremamente desnecessário. Mas eu entendo o porquê daquele prólogo. Del Toro quis nos jogar nas nossas caras o trauma de Victor com seu pai, que com sua educação rígida só queria que o filho fosse um médico à sua altura. E a cena que o menino Victor diz que vai ser melhor que o pai é meio patética demais, já que a gente ali já sabe que ele na verdade invejava como o pai preferia seu irmão mais novo.

O bom do filme é que a parte da história que se passa no “pólo norte”, pra onde o monstro foge e pra onde Victor Frankenstein vai procurá-lo, tem a devida importância, finalmente.

E o que importa mesmo em Frankenstein é muito bem filmado: Victor em uma torre que parece ter saído de um delírio de febre, construindo seu laboratório, testando seus planos, montando a antena que vai servir de condutora de eletricidade, ah, que lindo. Achei que ali o filme iria pelo caminho que esperávamos que fosse.

Mas onde está o assistente de Victor, onde estão os corpos roubados do cemitério, como um médico “playboy” conseguiu fazer o que vemos sozinho? É interessante perceber o quanto del Toro suprimiu da história original para fazer sua própria história. Alguns detalhes suprimidos são fundamentais para o folclore da história, de sentirmos falta mesmo, como é o ápice do monstro “crucificado” recebendo a vida através da carga elétrica dos raios através de um mecanismo que não deveria funcionar, inclusive, como o próprio Victor diz.

E sabe o que tem também no filme? A noiva do monstro, vivida obviamente pela Mia diva gótica Goth, obrigado Guillermo.

Se Frankenstein, o filme, não tivesse tanto dinheiro, eu acho que Guillermo del Toro teria arrasado. Este filme é a super versão hollywoodiana de um filme que tem até uns mashups com Cinderela e Wolverine, o que me deixou meio chocado até com essas escolhas filosóficas do diretor/autor mexicano.

Meu último comentário vai para os 2 atores principais.

Oscar Isaac foi uma escolha bem bizarra na minha opinião, em uma família totalmente loira e branca e que além de médico extraordinário, é ótimo na dicção, com uma gama de sotaques vindos não se sabe de onde.

Já Jacob Elordi está bem, mesmo seu monstro ser uma colcha de retalhos de corpos literalmente, sem mamilo e sem umbigo (detalhes importam) mas sempre com uma cuequinha branca de trapos, o que também não entendi a razão.

Eu poderia continuar escrevendo muito sobre Frankenstein mas toda a parte do monstro fugido e amigo do velho cego, a parte Cinderela do filme, parece um filme infantil um pouco mais violento do que o aceitável para crianças ao mesmo tempo que menos radical que deveria para adultos, o que resume bem o Frankenstein que está mais para um parque de diversões do que para uma obra prima do cinema de horror.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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